Café da Manhã
Petróleo e juros em foco
A escalada entre EUA e Irão volta a pressionar o petróleo e aumenta os riscos para a inflação. Nos mercados, os fortes dados de emprego reforçam as apostas numa subida de juros da Fed em Setembro.
A escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão voltou a colocar os mercados financeiros sob pressão no arranque da semana, com o petróleo a subir perante o agravamento dos riscos para o transporte de energia no Estreito de Ormuz. A troca de ataques entre os dois países intensificou-se durante o fim de semana, com Teerão a anunciar ataques contra três navios ligados aos Estados Unidos, em resposta às operações norte-americanas contra petroleiros iranianos.
Nos mercados accionistas, a sessão asiática foi marcada por ganhos, sobretudo no sector tecnológico, depois da forte valorização das empresas de semicondutores nos Estados Unidos na última sessão da semana passada. O índice MSCI Asia Pacific avançou 1,3%, enquanto o Nikkei 225 ganhou 2,02% e o Kospi disparou 4,61%, apoiado pela forte subida de empresas como a SK Hynix e a Samsung Electronics. Na China, o Shanghai Composite e o Shenzhen Composite avançaram 0,07% e 0,59%, respectivamente, enquanto o Hang Seng contrariou a tendência e perdeu 1,08%.
Na Europa, o início da sessão foi mais cauteloso, com os principais índices a recuarem ligeiramente, numa altura em que os investidores aguardam novos dados sobre a economia da Zona Euro e da confiança dos investidores. O DAX perde 0,27%, o FTSE 100 recua 0,20% e o Euro Stoxx 50 desce 0,11%, enquanto o CAC 40 segue praticamente inalterado.
Em Wall Street, a atenção continua centrada nos dados do mercado de trabalho norte-americano, depois de a economia ter criado 162 mil postos de trabalho em Agosto, bem acima das expectativas. A leitura reforçou as apostas numa subida das taxas de juro pela Reserva Federal já na reunião de Setembro, penalizando sobretudo as acções e as obrigações de curto prazo.
Na última sessão, o Dow Jones perdeu 0,51%, pressionado pela queda de 2,54% da Apple, enquanto o S&P 500 recuou 0,38% e o Nasdaq 0,29%. Hoje, os mercados norte-americanos permanecem encerrados devido ao feriado do Labour Day.
A política monetária continua também condicionada pela pressão da Casa Branca sobre a Reserva Federal. Donald Trump voltou a defender taxas de juro significativamente mais baixas, chegando a apontar para uma taxa de 1% ou inferior, ao mesmo tempo que ameaçou restringir o comércio com algumas economias com as quais os Estados Unidos apresentam défices. As declarações surgem num momento em que os mercados obrigacionistas continuam particularmente sensíveis às perspectivas para a inflação, às taxas de juro e à sustentabilidade da dívida norte-americana.
No mercado petrolífero, o agravamento do conflito entre Washington e Teerão voltou a colocar em destaque o risco de uma interrupção prolongada dos fluxos de energia através do Estreito de Ormuz. O Irão anunciou uma nova zona restrita junto ao estreito, depois dos ataques norte-americanos a petroleiros iranianos, aumentando os receios de perturbações no transporte de petróleo.
O Brent negoceia actualmente próximo dos 97 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 92 dólares, com o prémio de risco geopolítico a continuar a suportar os preços.
No mercado cambial, a ausência dos investidores norte-americanos, devido ao feriado, está a contribuir para uma sessão relativamente estável. O dólar negoceia próximo dos níveis de fecho da semana passada, com o índice DXY em torno dos 99 pontos, enquanto o EUR/USD segue igualmente pouco alterado, próximo de 1,1615.
O iene, pelo contrário, mantém uma tendência de valorização, num contexto de especulação sobre um eventual aumento do investimento do Government Pension Investment Fund em activos domésticos e de expectativas de que o Banco do Japão possa voltar a subir as taxas de juro ainda este mês. O USD/JPY negoceia abaixo dos 155,00, pela primeira vez desde Fevereiro, enquanto o EUR/JPY recua para níveis inferiores a 180,00.
Entre as restantes principais moedas, o franco suíço segue relativamente estável, com o USD/CHF em torno de 0,8100 e o EUR/CHF próximo de 0,9400. A libra esterlina também apresenta poucas alterações, negociando perto de 1,3540 dólares e de 0,8590 euros.