Café da Manhã
Petróleo regressa aos $100
A escalada do conflito entre os EUA e o Irão voltou a colocar o petróleo sob pressão, com o Brent próximo dos 100 dólares. As bolsas recuam e o dólar perde terreno, enquanto aumentam os receios sobre inflação e taxas.
Os mercados accionistas voltam a negociar sob pressão, com a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão a aumentar os receios sobre as consequências para a economia global. O petróleo regressou aos 100 dólares por barril, reforçando os riscos de inflação e complicando ainda mais o cenário para as taxas de juro.
A escalada do conflito surge num momento particularmente delicado para os mercados, uma vez que novos ataques às infra-estruturas energéticas podem prolongar a subida dos preços do petróleo e aumentar as pressões inflacionistas. Um cenário que poderá dificultar a actuação dos bancos centrais e reduzir a margem para cortes, ou mesmo reforçar as expectativas de novas subidas das taxas de juro.
A tensão geopolítica não se limita ao confronto directo entre os Estados Unidos e o Irão. O Irão afirma ter atacado uma base norte-americana na Jordânia, enquanto os Houthis, apoiados por Teerão, terão realizado ataques contra várias cidades sauditas, aumentando os receios de uma expansão regional do conflito.
Em Wall Street, o S&P 500 terminou pela segunda sessão consecutiva em queda, recuando 0,58%, enquanto o Dow Jones perdeu 1,17% e o Nasdaq 100 desvalorizou 0,32%. O sector tecnológico voltou a estar entre os mais penalizados, com a Salesforce e outras empresas de software sob pressão. A Amgen caiu mais de 10%, enquanto a Howmet Aerospace recuou 10,7%.
O ambiente de maior aversão ao risco prolonga-se hoje pelos mercados asiáticos, embora com um comportamento misto. O Nikkei 225 perdeu 0,19% e o Hang Seng recuou 0,41%, enquanto o Kospi avançou 1,40%. Na China, o Shanghai Composite subiu 0,28% e o Shenzhen Composite ganhou 0,30%. Os investidores continuam a acompanhar a evolução da inflação chinesa, com o índice de preços no consumidor a crescer 0,8% em Agosto, em termos homólogos.
Na Europa, as principais bolsas iniciaram a sessão em baixa, numa altura em que os investidores aguardam a reunião do Banco Central Europeu e uma subida das taxas de juro é amplamente esperada. O DAX recua 0,60%, o CAC 40 perde 0,85% e o Euro Stoxx 0,88%, enquanto o FTSE 100 desvaloriza 0,27%.
No mercado petrolífero, a escalada militar entre Washington e Teerão voltou a colocar os preços sob forte pressão. As forças norte-americanas destruíram cinco petroleiros iranianos que transportavam crude, depois de duas tentativas de atingir um navio da Marinha dos EUA com mísseis balísticos. Os ataques ocorreram junto à ilha de Kharg, um dos principais centros de exportação de petróleo do Irão, e no Golfo de Omã, aumentando os receios de novas perturbações no Estreito de Ormuz.
O Brent chegou a atingir os 100 dólares por barril e acumula agora uma valorização superior a 60% desde o início do ano. De momento, negoceia próximo dos 99,90 dólares, enquanto o WTI está nos 94,50 dólares.
No mercado cambial, apesar da deterioração do cenário geopolítico, o dólar começa a sessão em terreno negativo. O índice DXY negoceia nos 98,65 pontos, enquanto o EUR/USD está nos 1,1640.
O iene continua também no centro das atenções e voltou a ganhar força depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter alertado os investidores contra apostas numa desvalorização da moeda japonesa. O USD/JPY negoceia nos 153,00, enquanto o EUR/JPY está nos 178,25.
O franco suíço e a libra permanecem relativamente estáveis face aos níveis recentes, com o USD/CHF nos 0,8080 e o EUR/CHF nos 0,9410. Na libra, o GBP/USD transacciona nos 1,3550 e o EUR/GBP nos 0,8590.