Café da Manhã
Petróleo complica cenário
A escalada das tensões no Médio Oriente leva o Brent acima dos 109 dólares, reacendendo os receios de inflação e de novas subidas de juros. Bolsas e obrigações recuam.
A escalada das tensões no Médio Oriente voltou a dominar os mercados, com o petróleo a disparar e a reacender os receios em torno da inflação e da evolução das taxas de juro. O Brent chegou a negociar acima dos 109 dólares por barril, depois de a Arábia Saudita ter reportado uma nova queda da produção, para níveis mínimos desde 1990, enquanto o avanço dos Houthis no Iémen aumenta o risco sobre uma das principais rotas de transporte de petróleo.
A ameaça estende-se agora ao estreito de Bab el-Mandeb, no sul do Mar Vermelho, depois de os Houthis terem avançado para zonas costeiras e assumido o controlo de Mokha. Com o estreito de Ormuz ainda praticamente encerrado, o risco de novas perturbações no fornecimento energético aumenta, colocando novamente o petróleo no centro das preocupações dos investidores. O Brent chegou a subir mais de 50% desde os mínimos de Julho, embora negoceie agora nos 105,60 dólares, enquanto o WTI segue nos 100,60 dólares.
A subida do petróleo teve um impacto imediato nos mercados obrigacionistas, com as yields a subirem em várias regiões. Nos Estados Unidos, a subida do Brent para máximos de vários meses levou os investidores a aumentar para cerca de 70% a probabilidade de uma subida de juros pela Reserva Federal já na próxima semana, enquanto uma subida até Outubro passou a estar totalmente descontada.
Na Europa, o Banco Central Europeu aumentou ontem as taxas de juro em 25 pontos base, colocando a taxa de depósito nos 2,50%, em linha com o esperado. Contudo, a comunicação do BCE e as novas projecções foram interpretadas como bastante mais hawkish do que o antecipado. O banco central revelou ainda uma maior atenção à evolução dos preços da energia na sua função de reacção, numa altura em que a subida do petróleo volta a representar um risco para a inflação.
Nos mercados accionistas, o aumento das preocupações geopolíticas e o impacto potencial de custos energéticos mais elevados penalizaram Wall Street. O Dow Jones recuou 0,60%, o S&P 500 perdeu 0,58% e o Nasdaq caiu 0,65%. A fraqueza estendeu-se esta manhã aos mercados asiáticos, com o Nikkei a recuar 1,87%, o Kospi 1,76%, o Hang Seng 0,79%, o Shanghai Composite 1,18% e o ASX 200 0,89%.
Na Europa, o sentimento é ligeiramente mais positivo, apesar da atenção continuar centrada na evolução do petróleo e no impacto da decisão do BCE. O Euro Stoxx 50 sobe 0,44%, o CAC 40 ganha 0,42%, enquanto o DAX avança 0,14% e o FTSE 100 0,15%. Os dados económicos britânicos, que mostraram um crescimento da economia de 0,4% em Julho e uma subida de 0,2% da produção industrial, ajudam também a suportar o sentimento.
No mercado cambial, o dólar recupera ligeiramente, com o índice DXY nos 98,90 pontos. O EUR/USD continua a negociar em torno de 1,1600, apesar da subida de juros do BCE e da comunicação mais hawkish, sinal de que a evolução do dólar e das expectativas para a Fed continuam a dominar a dinâmica do par.
O iene corrige parte dos ganhos recentes, com o USD/JPY novamente acima de 154 e o EUR/JPY dos 179. O franco suíço também perde terreno, com o USD/CHF nos 0,8140 e o EUR/CHF nos 0,9445. A libra mantém-se relativamente estável, com o GBP/USD em 1,3510 e o EUR/GBP em 0,8590.
Bom fim de semana!