Café da Manhã
Petróleo e IA pressionam

Café da Manhã Petróleo e IA pressionam

Os mercados começam a semana sob pressão, com as preocupações em torno da IA a penalizarem as tecnológicas e a escalada no Médio Oriente a impulsionar o petróleo e o dólar.

Os mercados accionistas começam a semana sob pressão, com as preocupações em torno do desenvolvimento da inteligência artificial a juntarem-se às crescentes tensões geopolíticas no Médio Oriente. A recomendação de alguns dos principais responsáveis do sector para abrandar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, privilegiando a segurança, voltou a colocar em causa as elevadas avaliações das empresas ligadas à IA.

Na Ásia, a reacção foi particularmente negativa nas tecnológicas, com a SoftBank a perder mais de 10% em Tóquio. A Anthropic defendeu novas medidas de segurança e apelou a um abrandamento no desenvolvimento dos modelos mais avançados, enquanto Sam Altman, da OpenAI, afirmou que a empresa não deverá entrar em bolsa em 2026, numa decisão relacionada com a prioridade atribuída à segurança da IA.

Em Wall Street, a sessão de sexta-feira terminou em alta, com o recuo do petróleo a aliviar os receios em torno da inflação antes da reunião da Reserva Federal desta semana. O Dow Jones subiu 0,98%, o Nasdaq ganhou 0,96% e o S&P 500 avançou 0,86%. Apesar de o relatório de inflação ter apresentado alguns sinais de maior pressão, com a inflação subjacente mensal a subir 0,3%, a componente homóloga desacelerou para 2,4%.

Na Ásia, o sentimento voltou entretanto a deteriorar-se. O Nikkei recuou 0,58%, o Kospi caiu 3,26% e o Shenzhen perdeu 0,67%, enquanto o Hang Seng subiu 0,29% e o ASX 200 ganhou 0,10%. Na Europa, as bolsas negoceiam maioritariamente em baixa, pressionadas pela escalada das tensões no Médio Oriente. O DAX recua 0,14%, o Euro Stoxx 0,46% e o CAC 40 0,27%, enquanto o FTSE 100 contraria a tendência e sobe 0,70%.

No mercado petrolífero, o risco geopolítico volta a dominar. Os ataques contra infra-estruturas energéticas sauditas e o aumento das ameaças à navegação no Estreito de Ormuz e no Bab el-Mandeb estão a reforçar os receios em torno da segurança do abastecimento mundial. O adiamento da reunião entre o Irão e outras potências do Golfo, destinada a discutir um canal seguro através de Ormuz, veio agravar a percepção de que uma solução diplomática poderá estar mais distante.

O Brent sobe 2,5%, para cerca de 107,30 dólares por barril, enquanto o WTI negoceia nos 102,60 dólares. A evolução do petróleo continuará, assim, a ser determinante para as expectativas de inflação e para o comportamento dos restantes mercados, sobretudo numa semana marcada pelas decisões de política monetária.

No mercado cambial, o dólar mantém-se suportado pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, depois de os últimos dados de inflação terem reforçado essa expectativa. O índice DXY regressou acima dos 99 pontos, enquanto o EUR/USD iniciou a semana abaixo dos 1,1600, atingindo um mínimo de um mês nos 1,1550.
O iene negoceia ligeiramente abaixo dos máximos recentes, com o USD/JPY nos 154,40 e o EUR/JPY nos 178,40. O franco suíço continua sob pressão, com o USD/CHF nos 0,8185 e o EUR/CHF perto dos 0,9460.
A libra mantém-se relativamente estável, numa semana em que o destaque estará na reunião do Banco de Inglaterra. O GBP/USD negoceia nos 1,3500, enquanto o EUR/GBP recua para 0,8560.


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