Café da Manhã
Dia de decisão
A decisão da Fed domina os mercados, com mais de 90% de probabilidade de uma subida de 25 pb. Petróleo e yields elevados mantêm a pressão sobre as bolsas, enquanto o dólar aguarda por sinais da política monetária.
Os mercados começam o dia em modo de espera, com todas as atenções centradas na decisão da Reserva Federal. Depois dos dados de inflação da passada semana terem ficado ligeiramente acima do esperado, o mercado atribui agora uma probabilidade superior a 90% a uma subida de 25 pontos-base nas taxas de juro, naquele que poderá ser o primeiro aumento deste ciclo.
Mais do que a decisão em si, será a comunicação da Fed que deverá determinar a reacção dos mercados. Uma subida acompanhada por uma mensagem hawkish e por projecções que apontem para novos aumentos poderá reforçar as yields de curto prazo e levar o mercado a antecipar uma nova subida já em Outubro. Por outro lado, uma manutenção das taxas poderá provocar uma reacção significativa, com os investidores a avaliarem se uma Fed mais cautelosa conseguirá responder às actuais pressões inflacionistas.
As atenções estarão também centradas no chamado dot plot, que deverá fornecer indicações importantes sobre a trajectória futura das taxas. Kevin Warsh não deverá apresentar uma projecção própria, mas a mediana das estimativas dos restantes membros será particularmente relevante para perceber o equilíbrio de forças dentro do comité.
Em Wall Street, a prudência dominou a sessão de terça-feira, com os investidores a reduzirem a exposição ao risco antes da decisão da Fed. A subida do petróleo e das yields das obrigações norte-americanas para máximos de vários anos continua a alimentar os receios em torno da inflação. O Dow Jones caiu 0,63%, o Nasdaq recuou 0,78% e o S&P 500 perdeu 0,45%.
Na Ásia, o sentimento foi mais positivo, embora os mercados permaneçam condicionados pela subida das yields e do petróleo. O Kospi avançou 1,37%, o Nikkei ganhou 0,78%, o Hang Seng subiu 0,21% e os índices de Xangai e Shenzhen avançaram 0,71% e 0,68%, respectivamente. O ASX 200 ganhou 0,28%.
Na Europa, as bolsas iniciaram a sessão em alta, com os investidores a aguardarem novos dados económicos e, sobretudo, a decisão da Fed. O DAX sobe 0,11%, o FTSE 100 0,36%, o CAC 40 0,22% e o Euro Stoxx 50 0,42%.
No mercado petrolífero, os preços corrigem ligeiramente depois da forte subida das últimas semanas. O Brent recuou para perto dos 108 dólares, após ter acumulado uma valorização próxima de 20% este mês. A divulgação de um aumento inesperado das reservas de crude nos Estados Unidos, de 7,1 milhões de barris segundo os dados do API, levou a alguma realização de mais-valias.
Ao mesmo tempo, os riscos sobre a oferta permanecem elevados, depois de a Arábia Saudita ter suspendido os carregamentos de petróleo no porto de Yanbu na sequência de um ataque ao oleoduto East-West. O Brent negoceia actualmente nos 107,60 dólares por barril e o WTI nos 99,40 dólares.
No mercado cambial, as principais divisas permanecem igualmente em modo de espera, perante uma semana marcada pelas reuniões dos bancos centrais dos Estados Unidos, Reino Unido e Japão. O índice DXY mantém-se próximo dos 99,35 pontos, enquanto o EUR/USD continua nos 1,1540.
O iene recupera ligeiramente dos mínimos de ontem, com o USD/JPY nos 154,95 e o EUR/JPY próximo dos 178,95. O franco suíço volta a perder terreno depois da recuperação dos últimos dois dias, com o USD/CHF nos 0,8190 e o EUR/CHF nos 0,9450.
A libra negoceia praticamente inalterada, com o GBP/USD abaixo dos 1,3480 e o EUR/GBP nos 0,8570.