Café da Manhã
Fed sobe juros
A Fed subiu os juros pela primeira vez desde 2023 e sinalizou mais aperto monetário. O dólar dispara, as bolsas recuam e o petróleo corrige com sinais de normalização da oferta no Médio Oriente.
Os mercados continuam a reagir à decisão da Reserva Federal de subir as taxas de juro em 25 pontos-base, para um intervalo entre 3,75% e 4,00%, naquele que foi o primeiro aumento desde Julho de 2023. A decisão foi unânime e acompanhada por sinais de que poderá haver mais uma subida ainda este ano, caso a inflação continue elevada.
A Fed mostrou-se particularmente preocupada com a persistência da inflação, com Kevin Warsh a salientar que esta permanece elevada há demasiado tempo. A comunicação acabou por reforçar as expectativas de novas subidas e levou os mercados monetários a descontarem agora três aumentos adicionais até meados do próximo ano.
A reacção foi particularmente evidente no mercado obrigacionista, com a yield das Treasuries a dois anos a atingir o nível mais elevado desde 2024. A subida dos juros também suportou o dólar, enquanto aumentou a pressão sobre as bolsas.
A decisão da Fed deverá também testar a relação entre Kevin Warsh e Donald Trump, que tem defendido uma redução das taxas de juro. Trump afirmou, ainda assim, manter a confiança no presidente da Fed, embora tenha criticado o conselho do banco central.
Em Wall Street, o Dow Jones caiu 1,21%, enquanto o S&P 500 recuou 0,44%. O Nasdaq 100 terminou praticamente inalterado. Os investidores continuam a avaliar o impacto de taxas de juro mais elevadas num contexto em que a crise energética mantém os riscos inflacionistas elevados.
Na Ásia, a reacção foi mais moderada. O Nikkei subiu 0,53%, enquanto o Hang Seng perdeu 0,66%. O Kospi terminou praticamente inalterado e o ASX 200 avançou 0,41%. Na China, o Shanghai Composite caiu 0,41% e o Shenzhen recuou 0,45%.
Na Europa, as bolsas iniciam a sessão em alta, com os investidores a digerirem a decisão da Fed e a aguardarem pela reunião do Banco de Inglaterra, que deverá manter as taxas inalteradas. O DAX sobe 0,32%, o FTSE 100 0,54%, o CAC 40 0,17% e o Euro Stoxx 50 0,47%.
No plano geopolítico, a Comissão Europeia voltou a aumentar a tensão com Washington ao anunciar que pretende abrir a porta para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia. Donald Trump advertiu que poderá impor tarifas à UE caso considere essa aproximação um acto hostil.
No mercado petrolífero, os preços continuam sob pressão perante os sinais de que algumas das perturbações no abastecimento do Médio Oriente poderão estar a ser parcialmente ultrapassadas. A Arábia Saudita estará a preparar o regresso de cerca de metade da capacidade do seu oleoduto que atravessa o país, interrompida na sequência de ataques com drones.
O Brent negoceia actualmente nos 104,80 dólares por barril, enquanto o WTI está nos 96,80 dólares. A eventual recuperação da capacidade de transporte saudita poderá aliviar parte da pressão sobre os preços, embora os riscos geopolíticos na região permaneçam elevados.
No mercado cambial, o dólar prolonga os ganhos após a Fed ter sinalizado que o ciclo de subida das taxas poderá não estar terminado. O índice DXY regressou aos 100 pontos, enquanto o EUR/USD caiu para 1,1460.
O iene recupera dos mínimos de ontem, com o USD/JPY nos 155,75 e o EUR/JPY próximo dos 178,75. A subida das taxas nos Estados Unidos volta também a pressionar o franco suíço, com o USD/CHF nos 0,8260, próximo de máximos de mais de um ano, e o EUR/CHF nos 0,9470.
A libra esterlina permanece condicionada pelo aumento da volatilidade e pela valorização do dólar, enquanto os investidores aguardam pela decisão do Banco de Inglaterra. O GBP/USD negoceia abaixo dos 1,3400, num mínimo de mais de um mês, enquanto o EUR/GBP permanece nos 0,8570.