EUR/USD
Semanal
A Reserva Federal dos Estados Unidos entregou na semana passada aquilo que os mercados esperavam e um pouco mais. O resultado foi um dólar reforçado e um EUR/USD a caminho de novos mínimos do ano.
A Fed confirmou a subida de 25 pontos-base, mas surpreendeu pelo tom mais hawkish.
A decisão, a primeira subida de juros da Fed em três anos, não constituiu uma surpresa. O que acabou por surpreender foi a unanimidade do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) e o tom mais hawkish das novas projecções.
Todos os membros votantes apoiaram a subida, num sinal de que as preocupações com a inflação ganharam peso face aos riscos sobre o crescimento e o mercado de trabalho.
As novas projecções mostraram que, dos 18 responsáveis que apresentaram previsões, 16 apontam para pelo menos mais uma subida de 25 pontos-base até ao final de 2026, enquanto apenas dois antecipam a manutenção das taxas nos níveis actuais. Para 2027, a mediana aponta para uma taxa de 4,1%, embora oito membros projectem uma subida adicional para 4,25%-4,50%. Como esperado, Kevin Warsh voltou a não apresentar as suas próprias projecções.
A Fed reviu ainda em alta as previsões de crescimento do PIB para 2026 e 2027, ao mesmo tempo que reviu em alta a inflação e em baixa a taxa de desemprego.
Kevin Warsh manteve desta vez um discurso mais hawkish e, na conferência de imprensa, voltou a sublinhar que as condições financeiras não podem ser consideradas restritivas e que a economia e o mercado de trabalho ganharam força desde a reunião de Julho. Warsh destacou ainda que a inflação não apresentou melhorias suficientemente significativas durante o Verão e que a subida dos preços da energia acrescentou novos riscos.
O presidente da Fed mostrou também algum distanciamento face à Casa Branca e reforçou a independência da Reserva Federal, o que acabou por contribuir para dar maior suporte ao dólar.
O índice do dólar retomou os 100 pontos e o EUR/USD quebrou os 1,1500, aproximando-se de 1,1450.
Na minha opinião, o dólar poderá continuar este movimento de valorização, num contexto de dados económicos relativamente tranquilos, com os PMI da Zona Euro e dos Estados Unidos a destacarem-se na próxima semana. Os indicadores deverão continuar a mostrar a resistência das duas economias, embora a evolução da inflação e dos preços da energia continue a ser determinante para as expectativas em torno da política monetária.
A situação no Médio Oriente permanece tensa, com os preços do petróleo a manterem-se excepcionalmente elevados, prolongando os receios inflacionistas e, por sua vez, as expectativas de novas subidas de taxas de juro. O diferencial entre as taxas do euro e do dólar continua claramente favorável ao dólar. Os preços elevados da energia são um factor negativo para o euro e um suporte para a moeda norte-americana.
Enquanto o mercado há muito esperava novas subidas de taxas por parte do BCE, no caso da Fed assistiu-se a um reposicionamento das expectativas, com o mercado a incorporar agora uma trajectória mais restritiva. A FedWatch Tool da CME terminou a semana a mostrar cerca de 60% de probabilidades de uma subida nos EUA já em Outubro, enquanto as taxas implícitas para Dezembro apontam para cerca de 34 pontos-base adicionais face ao nível actual.
Neste contexto, os mínimos deste ano, perto de 1,1300, poderão constituir o próximo objectivo do EUR/USD.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD quebrou na semana passada a base que tinha vindo a construir em torno de 1,1560, assim como o suporte dado pela média móvel das 21 semanas, de momento nos 1,1552. Terminou a testar a base da área de consolidação mais apertada nos 1,1465.
O MACD continua abaixo da linha neutra, mas com a linha de MACD acima da linha de Sinal, mas o momentum começa a ser menos construtivo.
O quebrar dos 1,1560 levou o par a testar a base da área de consolidação mais apertada a 1,1465. Um break deste suporte irá expor o próximo suporte de 1,1390, antes do mínimo do ano a 1,1324.
Uma inversão do movimento realizado na semana passada irá contar com uma resistência na área 1,1550/1,1560. O ultrapassar desta área abrirá caminho, de novo, para um teste ao máximo de Agosto a 1,1710, antes do limite superior da área de consolidação de mais longo prazo, a 1,1830.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O EUR/USD na semana passada, acelerou o movimento descendente registado na semana anterior, e terminou a negociar abaixo do suporte dado pela Nuvem de Ichimoku.
O MACD mostra agora bem o momentum descendente do par, com a linha de MACD abaixo da linha neutra e da linha de Sinal, e onde o RSI está longe de entrar em situação de oversold.
O objectivo da correcção do movimento 1,1353/1,1710, a 1,1490, dado pelos 61,8% Fib desse movimento foi atingido e ultrapassado, com o par a terminar a semana a 1,1480.
O quebrar do suporte (fraco) a 1,1454, dado pelo mínimo da semana passada, deixa exposto o suporte de longo prazo de 1,1390 (mínimo de Agosto de 2025), que se por sua vez quebrado irá expor o mínimo do ano a 1,1324, tendo antes que ultrapassar o suporte fraco a 1,1353 (mínimo de Julho deste ano).
O romper da resistência dada pela Nuvem de Ichimoku (que inicia a semana a 1,1484/1,1506), abre caminho à possibilidade de um teste à resistência a 1,1560, antes da resistência mais forte dada pela MM 200 dias, de momento a 1,1628.
Resistências - Suportes
1,1515 - 1,1454
1,1560 - 1,1390
1,1628 - 1,1324