Café da Manhã
Yields pressionam os mercados
A forte subida das yields norte-americanas aumenta a pressão sobre as bolsas, num contexto de inflação e expectativas de mais juros da Fed. O dólar reforça ganhos, enquanto o petróleo recua após a forte subida anterior.
Os mercados accionistas voltaram a ser pressionados na quarta-feira pela forte subida das yields norte-americanas, num contexto de receios renovados sobre a inflação e de expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal. Dados económicos acima do esperado e uma fraca emissão de dívida do Tesouro contribuíram para agravar a pressão sobre as obrigações.
Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,68%, o S&P 500 perdeu 0,75% e o Nasdaq 100 caiu 1,13%. A subida dos preços do petróleo, associada aos receios de perturbações no abastecimento, reforçou igualmente as preocupações com a inflação e contribuiu para a deterioração do sentimento.
As yields dos Treasuries subiram em toda a curva, atingindo em vários prazos os níveis mais elevados desde 2007. A pressão intensificou-se após uma emissão de 70 mil milhões de dólares em obrigações a cinco anos ter registado uma procura abaixo do esperado. O movimento surge apesar do plano do Tesouro para recomprar até 6 mil milhões de dólares de dívida de prazo mais longo, com o objectivo de melhorar a liquidez do mercado.
Na Ásia, a pressão sobre as obrigações estendeu-se ao Japão, Austrália e Nova Zelândia, enquanto os mercados accionistas negociaram maioritariamente em baixa. O Nikkei avançou 0,88%, mas o Hang Seng recuou 0,41%, o Shanghai Composite perdeu 1,22%, o Shenzhen Composite caiu 1,73% e o ASX 200 desceu 0,72%. A atenção está agora centrada no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, depois da chegada do Presidente chinês a Washington para a sua primeira visita de Estado aos Estados Unidos em 11 anos. Washington e Pequim acordaram entretanto prolongar por dois meses a actual trégua comercial.
Na Europa, os principais índices seguem igualmente em baixa, apesar da melhoria do índice Ifo de confiança empresarial na Alemanha. O DAX recua 0,44%, o Euro Stoxx 50 perde 0,30% e o CAC 40 0,40%, enquanto o FTSE 100 negoceia praticamente inalterado.
No mercado petrolífero, os preços recuam depois da subida de quase 4% registada na quarta-feira. As declarações de Washington de que volumes significativos de petróleo continuam a atravessar o estreito de Ormuz reduziram parte do prémio de risco. No entanto, as declarações do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, de que Teerão não permitirá a liberdade de navegação enquanto se mantiverem as sanções e o bloqueio norte-americano, mantêm elevada a incerteza. O Brent negoceia nos 98,50 dólares por barril e o WTI nos 92,30 dólares.
No mercado cambial, o dólar reforça a tendência de valorização, com o índice DXY próximo dos 101 pontos. O EUR/USD negoceia abaixo de 1,1400, pressionado pela subida das yields norte-americanas e pela revisão das expectativas para a política da Fed.
O iene estabiliza junto dos mínimos recentes, com o USD/JPY nos 158,20 e o EUR/JPY nos 180,20. O franco suíço recua dos ganhos acumulados durante a semana, penalizado pela subida das yields globais e pela decisão do Banco Nacional Suíço de manter a taxa de juro nos 0%. O USD/CHF está nos 0,8275 e o EUR/CHF nos 0,9430. A libra mantém-se sob pressão, com o GBP/USD nos 1,3250 e o EUR/GBP nos 0,8600.