EUR/USD
Semanal
A Fed mantém um tom hawkish, enquanto a economia norte-americana mostra resiliência. Com o petróleo elevado e a geopolítica a favorecer o dólar, o EUR/USD enfrenta nova semana sob pressão.
Preocupações com a inflação levaram o FOMC a subir a taxa dos fed funds em 25 pontos-base na sua última reunião de política monetária.
As suas projecções apontaram ainda para mais uma subida de taxas até ao final deste ano.
Apesar do mandato duplo (estabilidade de preços e maximização do emprego), os membros do FOMC mostraram-se menos preocupados com o emprego, que continua sólido, e com uma economia que segue resiliente, e mais preocupados com uma inflação persistente.
Na semana passada, pelo menos a parte da resiliência económica foi mais do que confirmada. Os dados da actividade económica da S&P Global levaram o PMI composto para um máximo de mais de cinco anos, dando bem mostras da solidez da economia norte-americana, mesmo com o impacto dos preços da energia em máximos, assim como do custo de financiamento para empresas e particulares, com as yields obrigacionistas em máximos dos últimos anos. As yields das Treasuries entre os 3 e os 30 anos seguem todas acima dos 5%.
Se tudo isto não fosse suficiente para impulsionar o dólar (e pressionar o EUR/USD), as muitas participações e discursos de membros do FOMC foram quase unânimes no tom hawkish, apontando para a necessidade de uma política mais restritiva.
Apesar das vozes deste lado do oceano terem também mostrado preocupações inflacionistas, apelando à continuação das subidas de taxas na Zona Euro, o diferencial nas expectativas de novas subidas de taxas de juro cai claramente para o lado do dólar. Os mercados há muito que descontam a possibilidade de subidas de taxas de juro por parte do BCE, mas apenas há algumas semanas voltaram a antecipar uma postura mais hawkish da Fed. Enquanto as taxas implícitas do euro apontam para cerca de 50% de probabilidade de subida, as do dólar aproximam-se dos 70%. A FedWatch Tool, da CME, terminou a semana a mostrar 66% de probabilidades de uma nova subida de taxas já em Outubro.
Na frente geopolítica, a balança pende também para o lado do dólar. O conflito no Médio Oriente mantém-se, como se mantêm as dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz (e de Bab-el-Mandeb), mantendo elevados os preços do petróleo, que suportam mais o dólar e pressionam o euro. Uma nova escalada no conflito só irá piorar esta relação, enquanto uma normalização poderia dar uma nova “linha de vida” ao EUR/USD.
Estas considerações geopolíticas à parte, teremos pela frente mais uma semana de muitos discursos de membros da Fed e do BCE, assim como importantes dados económicos que poderão continuar a impactar o EUR/USD.
Dos discursos, não acredito que se veja uma alteração do que observámos nesta última semana. Os fantasmas da espiral inflacionista global observada em 2022 continuam a assombrar os responsáveis dos bancos centrais.
As estimativas apontam para que, na Zona Euro, os preços em Setembro mostrem um aumento de 0,3% em termos mensais, com a inflação a subir de 3,2% para 3,5%. A medida de inflação que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco deverá subir de 2,4% para 2,6%. Uma surpresa em alta poderá colocar ainda mais perto uma subida de taxas em Outubro, podendo fornecer algum suporte ao euro. Já uma surpresa em baixo poderá levar a pressão adicional sobre o EUR/USD.
Nos Estados Unidos, teremos a leitura final do PIB do segundo trimestre, que deverá ser revista em alta de 1,5% para 1,6%, segundo as previsões. Teremos o PCE de Agosto que, se não surpreender, mostrará uma subida mensal dos preços de 0,4%, com a medida homóloga a subir de 3,7% para 3,8%. A medida subjacente deverá subir de 3,3% para 3,4%. Tudo bem mais elevado do que a meta de 2% da Fed. Por fim, e não menos importante, teremos novos dados do mercado de trabalho. Os do mês de Agosto surpreenderam com a criação de 162 mil postos de trabalho e com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,1%. As previsões apontam para que os de Setembro mostrem “apenas” a criação de 100 mil postos de trabalho e uma taxa de desemprego a subir para 4,2%. Ainda assim, configurando a definição de um mercado de trabalho sólido.
Em minha opinião, os astros continuam alinhados para a continuação, por mais algum tempo, desta valorização do dólar e da tendência descendente do EUR/USD. O diferencial de taxas de juro, das expectativas de futuras subidas de taxas, e a perspectiva geopolítica, a manter preços elevados do petróleo, alimentam essa opinião. Salvo uma hecatombe nos dados desta semana, principalmente do lado norte-americano, o EUR/USD até poderá enveredar por alguma correcção pontual, mas deverá manter o caminho que o leva para novos mínimos deste ano, que já não estão assim tão longe.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD manteve na semana passada a tendência descendente de mais de um mês e, depois de ter quebrado a primeira base de consolidação de 1,1465, vem testar os 1,1390, terminando a semana em torno desse nível.
O MACD continua abaixo da linha neutra, com a linha de MACD acima da linha de Sinal, mas o momentum segue menos construtivo.
O par começa a semana a testar o suporte a 1,1390. O mínimo do ano a 1,1324 segue exposto, com o EUR/USD a ter como próximo suporte a área 1,1214/1,1275, dada pelos máximos de 2024 e 2023, respectivamente.
Uma inversão desta tendência terá como primeira resistência os 1,1465 e posteriormente a MM das 21 semanas, de momento a 1,1537, antes do máximo de Agosto a 1,1710.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD manteve a forte tendência descendente da semana anterior, confirmando o break da semana anterior do suporte dado pela Nuvem de Ichimoku, aproximando-se do mínimo deste ano.
O MACD mostra agora bem o momentum descendente do par, com a linha de MACD abaixo da linha neutra e da linha de Sinal, mas o RSI está perto de terreno de sobrevenda.
O quebrar da área 1,1353/59, dado respectivamente pelo mínimo de Julho e da semana passada, poderá dar força ao par para um teste ao mínimo do ano a 1,1324. O quebrar deste suporte irá expôr a próxima referência a 1,1275, dada pelo máximo de 2023.
Uma inversão da tendência descendente poderá levar o par para uma correcção do movimento máximo de Agosto/mínimo da semana passada, com os 38,2% Fibonacci a 1,1493 como o primeiro objectivo, tendo que enfrentar pelo meio a resistência a 1,1442, dada pela referência dos 23,6% do mesmo movimento.
Resistências - Suportes
1,1454 - 1,1359
1,1493 - 1,1324
1,1517 - 1,1275