Café da Manhã
Ormuz continua a agitar mercados
A rejeição de uma proposta de paz do Irão mantém o preço do petróleo em alta e reforça os receios de inflação e juros elevados, pressionando bolsas e moedas.
O petróleo volta a ser o principal factor de risco nos mercados esta manhã. A rejeição, por Donald Trump, de uma proposta iraniana para resolver o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz fez o Brent subir mais de 3% nas primeiras horas da sessão, enquanto o dólar ganhou força.
Em Wall Street A última sessão, na sexta-feira, terminou em alta: o Dow Jones avançou 0,93%, o S&P 500 ganhou 0,51% e o Nasdaq Composite subiu 0,48%. A subida foi apoiada sobretudo pelas empresas ligadas à inteligência artificial, com a Microsoft a ganhar 3,7%, a Qualcomm 4% e a Dell 5%.
O alívio proporcionado pelas perspectivas de negociações entre Washington e Teerão ajudou as acções, mas os investidores continuam atentos ao petróleo e às yields. A Treasury a 10 anos chegou a 5,196% na sexta-feira e o mercado via já uma probabilidade de 66% de uma subida de juros da Fed em Outubro.
Na Ásia, a primeira sessão da semana foi marcada pelo regresso da pressão sobre as matérias-primas e pelas preocupações com taxas de juro mais elevadas. O Nikkei 225 recuou 0,69%, enquanto o Kospi caiu 2,70%. Já o ASX 200 avançou 0,17%. Na China, o Shanghai Composite caiu 1,67% e o CSI 300 2,22%, enquanto o Hang Seng subia 0,50%. As quedas na China surgem num contexto de menor dinamismo dos lucros industriais em Agosto e de novas preocupações no sector tecnológico.
Na Europa, a abertura aponta para ganhos moderados, apesar da subida do petróleo. O Euro Stoxx 50 avança cerca de 0,1% e o DAX 0,15%, enquanto o CAC ganha 0,30% e o FTSE 100 0,35%.
O movimento europeu reflecte o equilíbrio entre o suporte dado pela resistência da economia e das empresas, por um lado, e o impacto negativo de energia mais cara e yields elevadas, por outro. A semana será particularmente importante para as expectativas de política monetária, com a divulgação dos dados da inflação.
No mercado petrolífero, a rejeição de Donald Trump à proposta iraniana para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, levou os preços a manterem-se em alta neste início de semana. O Brent segue de momento a negociar a 99,20 dólares por barril e o WTI a 94,40 dólares.
O mercado continua, contudo, a avaliar sinais contraditórios. As exportações de petróleo dos principais produtores do Médio Oriente recuperaram em Setembro e os fluxos através de Ormuz melhoraram, mas o risco de novas interrupções mantém um prémio geopolítico elevado.
No mercado cambial, o dólar mantém-se próximo de máximos de dois meses, beneficiando simultaneamente da procura por activos de refúgio, da subida do petróleo e das expectativas de uma Fed mais restritiva. O DXY está a começar a semana em torno de 101, enquanto o EUR/USD segue em torno de 1,1380. A libra começa a semana a recuperar dos níveis de fecho da semana passada, com o GBP/USD a negociar de momento a 1,3270 e o EUR/GBP a 0,8580. O iene está também a começar a semana em alta, depois de responsáveis norte-americanos e japoneses terem reafirmado a preocupação com a fraqueza do iene. O USD/JPY cai de momento para os 156,60 ienes e o EUR/JPY para 178,40. Já o franco suíço começa a semana em perdas, com o USD/CHF a negociar em torno de 0,8300 e o EUR/CHF a 0,9450.