Café da Manhã
Dólar em alta
A subida da inflação na Europa contrasta com dados mais moderados nos EUA, mas a resiliência da economia mantém as yields elevadas. O dólar e o petróleo reforçam ganhos.
As yields das obrigações norte-americanas continuam a subir, mantendo a pressão sobre os mercados accionistas, enquanto o dólar reforça os ganhos e o euro recua para mínimos de mais de um ano. No mercado petrolífero, o impasse diplomático entre os EUA e o Irão volta a pressionar os preços.
Os dados de inflação divulgados na Europa mostram uma evolução preocupante, com os preços a acelerarem nas principais economias da zona euro devido à persistência dos custos energéticos. A inflação anual subiu para 3,3% na Alemanha, máximo de quase três anos, para 3,4% em França e 4,1% em Itália, depois de Espanha ter registado uma subida de 5%.
Nos Estados Unidos, pelo contrário, o índice de preços PCE, excluindo alimentação e energia, aumentou apenas 0,2% em Agosto, abaixo do esperado, enquanto o valor do mês anterior foi revisto em baixa. A evolução mais moderada da inflação reduziu as expectativas de uma nova subida dos juros da Reserva Federal este mês, embora o crescimento do PIB, a despesa dos consumidores e os dados do emprego privado continuem a evidenciar a resiliência da economia norte-americana.
Em Wall Street, os principais índices encerraram mistos. O Dow Jones recuou 0,86%, o S&P 500 perdeu 0,25%, enquanto o Nasdaq 100 avançou 0,23%. Os investidores continuam a avaliar o equilíbrio entre uma inflação ainda elevada, uma economia resistente e a trajectória das taxas de juro.
Na Ásia, a sessão foi maioritariamente positiva, apesar da pressão que continua a afectar o mercado obrigacionista. O Nikkei disparou 3,43% e o Kospi ganhou 1,95%, enquanto o ASX 200 recuou 1,99%. Os mercados da China continental e de Hong Kong estiveram encerrados devido a feriado.
Na Europa, o início do quarto trimestre está a ser marcado por perdas acentuadas. O DAX recua 1,38%, o FTSE 100 perde 1,96%, o Euro Stoxx 50 cai 1,51% e o CAC 40 desce 1,68%, num contexto de maior preocupação com a inflação e a evolução das yields.
No mercado petrolífero, os preços voltam a subir, com a ausência de progressos nas negociações entre Washington e Teerão a manter o risco de perturbações no abastecimento. O Brent negoceia nos 100 dólares por barril e o WTI nos 92,50 dólares.
No mercado cambial, o dólar mantém a tendência de valorização e atinge novos máximos de mais de um ano. O índice DXY supera os 101,50 pontos e o EUR/USD cai abaixo dos 1,1300 dólares pela primeira vez desde Maio de 2025.
O iene volta a perder terreno, com o USD/JPY novamente acima dos 158,00 e o EUR/JPY em torno dos 179,00. A libra negoceia pouco alterada, com o GBP/USD nos 1,3230 e o EUR/GBP nos 0,8545. Já o franco suíço recupera dos mínimos recentes, num contexto de maior aversão ao risco, com o USD/CHF nos 0,8340 e o EUR/CHF nos 0,9430.