Café da Manhã
Mercados sob pressão

Café da Manhã Mercados sob pressão

A subida das yields e as preocupações com a situação orçamental francesa pressionam os mercados europeus. O dólar reforça ganhos e o petróleo regressa aos 100 dólares antes dos dados do emprego nos EUA.

A subida das yields e o agravamento das preocupações em torno das contas públicas francesas voltam a pressionar os mercados europeus. Nos EUA, a recuperação das Treasuries ajudou Wall Street, mas os investidores mantêm-se cautelosos antes dos dados do mercado de trabalho, que poderão ser determinantes para as expectativas em torno da política monetária da Reserva Federal.

Na Europa, a dívida francesa continua no centro das atenções. O diferencial entre as yields a 10 anos de França e Alemanha ultrapassou os 140 pontos-base, máximos desde 2012, reflectindo o aumento do prémio de risco associado à situação orçamental e à incerteza política. O projecto de Orçamento para 2027 prevê um défice de 5% do PIB e necessidades de financiamento próximas dos 340 mil milhões de euros.

Em Wall Street, a recuperação das obrigações norte-americanas contribuiu para melhorar o sentimento de ontem. O S&P 500 avançou 0,20%, enquanto o Nasdaq e o Dow Jones terminaram praticamente inalterados. Os investidores continuam a acompanhar a evolução dos custos energéticos e da inflação, mas o optimismo em torno do sector da inteligência artificial, depois dos resultados da Micron, ajudou a compensar parte das preocupações.

Na Ásia, as bolsas negociaram esta sexta-feira de forma mista antes da divulgação dos dados do emprego norte-americano. O Nikkei recuou 0,87% e o Hang Seng perdeu 2,72%, enquanto o Kospi avançou 0,46% e o ASX 200 ganhou 0,79%. Os mercados da China continental estiveram encerrados devido a feriado.

Na Europa, as principais bolsas iniciaram a sessão em alta, apesar das preocupações com o mercado obrigacionista francês. O DAX ganha 1,03%, o FTSE 100 avança 0,67%, o CAC 40 sobe 0,96% e o Euro Stoxx 50 valoriza 0,99%. Os investidores aguardam também os dados da inflação da zona euro, num contexto de preços energéticos ainda elevados.

No mercado petrolífero, o Brent regressou aos 100 dólares por barril, com o aumento das tensões no Médio Oriente a compensar os sinais de recuperação dos fluxos de petróleo na região. A possibilidade de um reforço da presença militar norte-americana no Médio Oriente voltou a aumentar a preocupação com o risco de perturbações no abastecimento. O Brent segue de momento a negociar nos 100 dólares por barril e o WTI nos 89,80 dólares.

No mercado cambial, o dólar manteve a forte tendência de valorização, com o índice DXY a aproximar-se ontem dos 102 pontos, num novo máximo desde Abril de 2025, enquanto o EUR/USD chegou a cair para 1,1215, mínimo de 17 meses, recuperando entretanto para 1,1260.
O iene está perto de terminar a semana em alta, depois de a inflação de Tóquio ter acelerado mais do que o esperado, com o USD/JPY de momento nos 157,55 e o EUR/JPY nos 177,40. A libra negoceia perto dos níveis anteriores, com o GBP/USD em torno dos 1,3200 e o EUR/GBP nos 0,8515. Já o franco suíço beneficia da procura por activos de refúgio, com o USD/CHF abaixo dos 0,8300 e o EUR/CHF nos 0,9320.

Bom fim de semana!


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