A semana que começa
Yields e minutas

A semana que começa Yields e minutas

Yields elevadas, tensão entre EUA e Irão, pressão sobre a dívida francesa e as minutas da Fed e do BCE dominam a semana, com o ISM dos serviços e a confiança do consumidor da Universidade de Michigan no radar.

A subida das yields das obrigações soberanas continuará a ser um dos principais temas dos mercados. Nos EUA, a yield a 10 anos chegou a 5,34%, o nível mais elevado desde 2002, num movimento associado às pressões inflacionistas, ao aumento dos custos energéticos e à solidez da actividade económica. Na Europa, a atenção estará também centrada na dívida francesa, numa altura em que o prémio exigido pelos investidores continua a aumentar.




O spread entre as yields das obrigações francesas e alemãs a 10 anos atingiu níveis não vistos desde a crise da dívida do euro, reflectindo as preocupações com a situação orçamental e política de França. A apresentação do Orçamento para 2027 e a capacidade do Governo para avançar com a consolidação das contas públicas estarão no radar. A evolução dos preços da energia e das expectativas de inflação será igualmente importante para as perspectivas de política monetária.





Nos EUA, a publicação das minutas da reunião da Reserva Federal de 15 e 16 de Setembro, na quarta-feira, 7 de Outubro, será um dos acontecimentos centrais da semana. A Fed subiu então a taxa directora em 25 pontos base, para um intervalo entre 3,75% e 4%, justificando a decisão com a inflação ainda elevada. As minutas poderão esclarecer o grau de divisão/união dentro do Comité e a avaliação dos riscos entre inflação e emprego, com potencial impacto nas yields e no dólar.

Na quinta-feira será a vez do BCE publicar as actas da reunião de política monetária de 9 e 10 de Setembro. O banco central subiu nessa reunião as três taxas directoras em 25 pontos base, colocando a taxa de depósito em 2,50%, perante uma inflação mais persistente, em parte devido ao aumento dos custos energéticos. As minutas poderão dar pistas sobre a margem para novas subidas, num contexto em que o euro e as yields europeias continuam sensíveis às perspectivas de inflação.





O conflito entre os EUA e o Irão continuará igualmente no radar. As autoridades iranianas apresentaram uma proposta diplomática de sete dias, enquanto Teerão prepara uma resposta mais forte caso sejam retomados ataques norte-americanos de grande escala. Washington rejeitou a mais recente proposta iraniana como insuficiente e mantém a pressão económica sobre o país, incluindo novas sanções. Qualquer alteração no quadro diplomático ou militar poderá ter reflexos imediatos no petróleo e no sentimento dos investidores.

A energia continuará, por isso, a ser uma variável importante para os mercados. O Brent terminou a semana perto dos 102 dólares por barril, enquanto os países do G7 acordaram libertar 100 milhões de barris de crude e gasóleo das reservas de emergência. A evolução dos fluxos através do estreito de Ormuz será particularmente relevante, dada a sua importância para o transporte mundial de energia e o risco de novas perturbações no abastecimento.





Dados Económicos

Estados Unidos da América
Uma semana mais ligeira de indicadores económicos começa com a divulgação do índice de serviços do ISM, assim como a leitura final do PMI de serviços da S&P Global que se espera que confirme o número preliminar de 58,7. O consenso aponta para que o PMI de serviços do ISM mostre um ligeiro recuo do mês anterior de 55,4 para 55,1, mantendo-se solidamente em terreno de expansão.
Na terça-feira, além da divulgação dos números semanais do emprego da ADP, teremos também os números da balança comercial, que deverão mostrar um défice de 95,2 mil milhões de dólares após os 88,6 mil milhões do mês anterior, e ainda o índice de optimismo económico RCM/TIPP que deverá recuar de 45,6 para 44,5.
Na quarta-feira teremos dados do crédito ao consumo do mês de Agosto, que deverão mostrar uma redução dos 18,1 mil milhões de dólares do mês de Julho, para 15,4 mil milhões.
Na quinta-feira teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego com as previsões a apontarem para uma subida dos 197 mil para 200 mil, nível a que se mantém a média das 4 semanas.
Por fim teremos a divulgação dos dados da Universidade de Michigan. O índice de confiança do consumidor, segundo o consenso, deverá voltar a recuar, caindo de 48,1 para 47,6. As expectativas de inflação, segundo o consenso, deverão também voltar a mostrar subidas, com o curto prazo a avançar de 4,6% para 4,7% e o mais longo prazo de 3,4% para 3,5%.

Zona Euro
Também por aqui iremos ter uma semana mais tranquila, relativamente a dados económicos.
A semana começa com o índice de confiança do investidor Sentix que, segundo as estimativas, deverá cair de 5,1 para 4,5. Teremos também o índice de preços do produtor que deverá mostrar uma subida dos 1,6% em Julho para 1,9% em Agosto e ainda a leitura final do PMI de serviços onde é esperada a confirmação dos 53,0 da leitura preliminar. Teremos também dados da actividade de serviços em Espanha e Itália. Em Espanha o consenso aponta para um recuo de 57,8 para 57,1 e em Itália de 55,2 para 54,6, em ambos mantendo-se solidamente em expansão.
Na terça-feira teremos os números das vendas a retalho de Agosto, com as estimativas a apontarem para um aumento mensal de 0,3%, recuperando parte da redução de 0,6% no mês de Julho. Na Alemanha teremos os números das encomendas às fábricas, onde as previsões apontam para uma redução de 1%, após o crescimento de 2,5% do mês anterior, e em França teremos os dados da produção industrial que deverão mostrar um aumento de 0,2%, depois da queda de 0,4% no mês de Julho.
Na quarta-feira é a Alemanha que irá divulgar os números da produção industrial de Agosto, onde as estimativas apontam para um crescimento de 0,5%, após a queda anterior de 1,1%, enquanto em França iremos ter os números da balança comercial do mês de Agosto, com as previsões a apontarem para um défice de 6,5 mil milhões de euros.
Na quinta-feira teremos os números da balança comercial na Alemanha que, segundo as estimativas, deverão apresentar um excedente de 18,9 mil milhões de euros, recuando dos 21,3 mil milhões do mês de Julho.
A semana termina com os números da produção industrial em Itália, onde as estimativas mostram uma estabilização, após o aumento de 0,7% no mês de Julho.

Reino Unido
Uma semana bastante tranquila que começa com os números finais do PMI de serviços que deverão confirmar a leitura preliminar de 51,7. Mais tarde iremos ter o PMI da construção que se deverá manter em contracção, mas com o índice a subir de 44,3 para 45,0.
Quarta-feira teremos o índice de preço dos imóveis da Lloyds, onde as estimativas apontam para uma subida de 0,2%, depois da queda do mesmo valor no mês anterior.
A semana termina com o índice RICS House Price Balance, que deverá cair de -28% para -30%.

Canadá
As atenções irão especialmente para o último dia da semana, onde serão divulgados os números do mercado de trabalho. As previsões apontam para uma subida na taxa de desemprego de 6,4% para 6,5%, mas acompanhada de um aumento na taxa de participação de 65% para 65,3%. O número de postos de trabalho deverá mostrar um crescimento de 9.500 empregos.
Antes, na terça-feira, iremos ter o índice Ivey PMI, onde as estimativas apontam para uma ligeira subida de 64,3 para 65,2, e ainda os números da balança comercial de Agosto, que deverão mostrar um excedente de 1,3 mil milhões de dólares canadianos, acelerando dos 800 milhões do mês anterior.

Suíça
Iremos ter a divulgação da taxa de desemprego que se deverá manter inalterada nos 3,1% e ainda o índice de confiança do consumidor SECO, que deverá mostrar um ligeiro aumento de -33 para -32.

Japão
A semana começa com o índice de confiança do consumidor onde o consenso aponta para que se mantenha em torno do nível do mês anterior, recuando ligeiramente de 35,5 para 35,3.
Na quarta-feira teremos os dados dos ganhos salariais médios, que em termos homólogos deverão mostrar uma desaceleração de 4,3% do mês anterior, para 3,7%.
Na quinta-feira, os números da conta corrente deverão mostrar um recuo dos 2,52 triliões de ienes, para 2,1 triliões e o índice de confiança económica deverá mostrar um ligeiro avanço de 46,4 para 46,6.
Finalmente, na sexta-feira, teremos os dados da despesa das famílias, onde as estimativas apontam para uma queda de 3,5%, em termos homólogos, após os -3,6% do mês anterior, e os números preliminares das encomendas de maquinaria deverão mostrar um abrandamento dos 64,7% para 61%, em termos homólogos.

Nova Zelândia
Por aqui teremos o índice de confiança empresarial NZIER, com o consenso a apontar para uma subida de 8 para 15.

Austrália
O consenso aponta para que o índice de confiança do consumidor Westpac deva mostrar uma queda dos 84,4 para 83,4 e o índice de anúncio de vagas de emprego ANZ-Indeed mostre uma redução de 1,3%, após a subida de 2,5% no mês anterior.




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