Café da Manhã
Euro sob pressão
A incerteza política em Espanha junta-se às preocupações fiscais em França e pressiona o euro para mínimos de 17 meses. O dólar mantém-se forte, enquanto as bolsas beneficiam dos dados de emprego mais fracos nos EUA.
A convocação de eleições antecipadas em Espanha, marcada para 29 de Novembro, veio aumentar a incerteza política na Europa, num momento em que os mercados já se encontram particularmente sensíveis às preocupações fiscais em França. O primeiro-ministro Pedro Sanchez tomou a decisão depois de o Parlamento ter rejeitado medidas destinadas a responder à crise da habitação.
Nos mercados accionistas, Wall Street terminou a última sessão da semana passada em alta, com o Nasdaq 100 a atingir novos máximos históricos. O Nasdaq avançou 1,19%, o S&P 500 ganhou 0,73% e o Dow Jones subiu 0,49%, beneficiando dos dados de emprego norte-americanos mais fracos do que o esperado.
A criação de apenas 29 mil empregos em Setembro, contra os 90 mil esperados, acompanhada por uma subida da taxa de desemprego para 4,2%, reduziu a pressão sobre a Reserva Federal para voltar a subir os juros já este mês. As expectativas de uma subida em Outubro caíram significativamente, embora a evolução da inflação continue a ser determinante para a decisão da Fed.
Na Ásia, o movimento positivo prolongou-se, com o Nikkei a ganhar 2,45%, enquanto o Hang Seng recuou 0,20% e o ASX 200 ficou praticamente inalterado. Os mercados da China continental e da Coreia do Sul estiveram encerrados devido a feriado.
Na Europa, a abertura foi mais cautelosa: o DAX avança 0,16%, o FTSE 100 ganha 0,48%, enquanto o CAC 40 recua 0,68%, pressionado pelas incertezas políticas e fiscais francesas. O Euro Stoxx 50 sobe 0,10%.
No petróleo, os preços recuam ligeiramente, com o Brent em torno dos 102 dólares por barril e o WTI próximo dos 90,30 dólares. A pressão resulta, em parte, do aumento dos fluxos de crude do Médio Oriente e da decisão da Arábia Saudita de reduzir os preços de venda para a Ásia para mínimos de vários anos, numa tentativa de preservar a sua quota de mercado.
No mercado cambial, o dólar continua a beneficiar dos elevados rendimentos das Treasuries, apesar dos dados de emprego mais fracos. O DXY negoceia em torno dos 102 pontos, depois de atingir um novo máximo nos 102,30, enquanto o EUR/USD caiu para 1,1161, um novo mínimo de 17 meses, recuperando depois para perto de 1,1200. A deterioração do contexto fiscal francês e a convocação de eleições antecipadas em Espanha reforçam a pressão sobre a moeda única.
O iene começa a semana em alta, com o USD/JPY nos 157,80 e o EUR/JPY nos 176,80, enquanto a libra também ganha terreno, com o GBP/USD acima de 1,3200 e o EUR/GBP a renovar mínimos desde Julho nos 0,8460. A procura por activos de refúgio continua igualmente a beneficiar o franco suíço, com o USD/CHF abaixo de 0,8300 e o EUR/CHF abaixo de 0,9300.