Café da Manhã
Tecnologia sob pressão

Café da Manhã Tecnologia sob pressão

As bolsas continuam pressionadas pela correcção no sector tecnológico, numa semana à espera de resultados empresariais e dos dados da inflação nos EUA. O petróleo mantém-se elevado e o dólar negoceia perto de máximos de mais de um ano.

As bolsas internacionais continuam sob pressão, com os investidores a reduzirem a exposição ao sector tecnológico perante as dúvidas em torno das avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial. A época de resultados empresariais arranca nos EUA, com os grandes bancos em destaque, enquanto os dados da inflação norte-americana a divulgar amanhã deverão ser determinantes para as expectativas em torno da política monetária da Reserva Federal.

Em Wall Street, a sessão de segunda-feira terminou sem uma tendência definida. O Dow Jones avançou 0,38%, enquanto o Nasdaq 100 recuou 0,44% e o S&P 500 terminou praticamente inalterado, com uma queda de 0,06%.

A pressão sobre as empresas tecnológicas prolongou-se na Ásia, onde o Kospi sul-coreano caiu 5,46%, penalizado pelas preocupações com a concorrência chinesa, enquanto o Nikkei japonês recuou 1,68%. A queda de várias empresas ligadas aos semicondutores voltou a evidenciar a fragilidade do sector, numa altura em que os investidores reavaliam as perspectivas de retorno do investimento em inteligência artificial. Na China o Hang Seng terminou a avançar 0,15% e o Shanghai Composite 0,10, enquanto o CSI 300 recuou 0,29%. Na Austrália, o ASX 200 terminou inalterado.

Na Europa, as bolsas negoceiam maioritariamente em alta, com o DAX a subir 0,53%, o CAC 40 0,41% e o FTSE 100 0,90%, enquanto o Euro Stoxx 50 recua 0,17%. A inflação alemã situou-se em 3,3% em Setembro, em linha com a estimativa preliminar.

No plano macroeconómico, o Fundo Monetário Internacional reviu em alta a sua previsão de crescimento mundial para 2026, de 3,0% para 3,1%, considerando que o investimento em tecnologia e inteligência artificial poderá atenuar o impacto das perturbações geopolíticas. Ainda assim, alertou para os riscos associados a uma escalada dos conflitos, a uma eventual revisão das expectativas em torno da inteligência artificial, a novas tensões comerciais e às vulnerabilidades orçamentais. O FMI considera, assim, que a economia mundial se aproxima dos limites da sua capacidade de resistência, num contexto de pressão sobre os mercados energéticos e de acumulação de riscos financeiros.

No mercado petrolífero, os preços recuam ligeiramente depois de três sessões consecutivas de ganhos, durante as quais as tensões geopolíticas voltaram a alimentar os receios de perturbações no abastecimento. Os ataques à infra-estrutura energética na Ucrânia, apesar do cessar-fogo energético anunciado por Donald Trump, e a intensificação dos ataques no Médio Oriente continuam a comprometer as perspectivas de estabilização. Em paralelo, os ataques a navios no estreito de Ormuz aumentam as preocupações com a segurança do transporte marítimo, mesmo com as exportações de crude do Golfo Pérsico a manterem-se relativamente robustas. O Brent negoceia actualmente em torno dos 105,10 dólares por barril, enquanto o WTI se situa nos 92,10 dólares.

No mercado cambial, o dólar iniciou a semana em valorização, beneficiando da subida dos preços da energia e do agravamento das tensões geopolíticas. O índice DXY atingiu novos máximos de 17 meses, acima dos 102,35 pontos, enquanto o EUR/USD renovou mínimos do ano em 1,1151. Esta manhã, o dólar corrige parcialmente os ganhos, com o DXY a recuar para 102,10 pontos e o EUR/USD a recuperar para 1,1180, num movimento que não altera, para já, o quadro de pressão sobre a moeda única.
O iene regista ganhos ligeiros, com o USD/JPY a negociar em 158,20 e o EUR/JPY em 177,00. A libra mantém-se relativamente estável, com o GBP/USD em 1,3230, enquanto o EUR/GBP recupera ligeiramente para 0,8455, depois de ter renovado mínimos de mais de um ano em 0,8445. O franco suíço apresenta perdas moderadas, com o EUR/CHF em 0,9320 e o USD/CHF em 0,8330.


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