Café da Manhã
Inflação e geopolítica em foco
As bolsas negoceiam sem uma direcção definida, com os resultados empresariais e a inflação nos EUA em destaque. No Médio Oriente, a escalada das tensões mantém o petróleo elevado e condiciona o sentimento dos investidores.
Wall Street encerrou a sessão de terça-feira sem uma tendência definida, com os investidores a avaliarem os primeiros resultados da banca norte-americana e a aguardarem os dados da inflação nos EUA, a divulgar esta quarta-feira. O Dow Jones recuou 0,35%, o Nasdaq perdeu 0,15% e o S&P 500 terminou praticamente inalterado.
Os resultados trimestrais dos grandes bancos apresentaram um balanço misto. A Goldman Sachs e o Citigroup superaram as expectativas em termos de lucros, enquanto a JPMorgan ficou aquém das estimativas, penalizada pela menor actividade na banca de investimento. A época de resultados empresariais ganha assim relevância, numa altura em que os mercados procuram avaliar a capacidade das empresas para sustentar os níveis de valorização actuais.
A evolução da sessão foi também condicionada pela escalada das tensões no Médio Oriente. Notícias de contactos entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump sobre a eventual retoma de ataques contra Teerão, a par da continuação dos ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita, aumentaram a incerteza geopolítica. As declarações de John Williams, presidente da Reserva Federal de Nova Iorque, ajudaram, contudo, a limitar as perdas, ao admitir que poderá não ser necessário voltar a subir os juros em 2027, embora uma nova subida ainda este ano possa ser apropriada.
Na Ásia, as principais bolsas encerraram maioritariamente em terreno negativo, com os investidores a reagirem aos dados económicos da China e à persistência das tensões geopolíticas. A inflação chinesa manteve-se praticamente inalterada em Setembro, enquanto as exportações cresceram acima das expectativas e o excedente comercial continuou a aumentar. A procura externa tem ajudado a compensar a fraqueza do consumo interno, embora permaneçam dúvidas quanto à capacidade de Pequim para atingir o objectivo de crescimento económico deste ano. O Nikkei japonês avançou 0,10%, mas o Hang Seng de Hong Kong recuou 0,29%, enquanto o Shanghai Composite e o Shenzhen Composite perderam 0,88% e 1,36%, respectivamente. O ASX 200 na Austrália perdeu 0,64% e o Kospi sul-coreano 0,44%.
Na Europa, as bolsas estão a começar o dia em alta, com o Euro Stoxx 50 a subir 0,58%, o CAC 40 francês 0,50% e o DAX alemão 0,26%. Os investidores acompanham o arranque da época de resultados empresariais e aguardam os dados da inflação norte-americana, num contexto em que a evolução dos preços da energia e os riscos geopolíticos continuam a condicionar as perspectivas para a economia e a política monetária.
No mercado petrolífero, o Brent subiu na terça-feira, perante o agravamento das tensões no Médio Oriente e a incerteza quanto à normalização dos fluxos de energia provenientes do Golfo Pérsico. O ataque dos Houthis a instalações da Saudi Aramco, no leste da Arábia Saudita, que provocou um incêndio numa parte do complexo, voltou a colocar em evidência os riscos para a oferta mundial. Esta quarta-feira, os preços corrigem ligeiramente, com o Brent a negociar em torno dos 105,70 dólares por barril e o WTI nos 94,20 dólares. Apesar do recuo, as cotações permanecem elevadas, reflectindo o prémio de risco geopolítico incorporado pelo mercado.
No mercado cambial, o dólar perdeu terreno após as declarações de John Williams, que, embora não tenha afastado a possibilidade de mais uma subida de juros este ano, não antevê necessidade de novo aperto monetário em 2027. O índice DXY negoceia abaixo dos 102 pontos, enquanto o EUR/USD recupera para a região de 1,1200. A atenção centra-se agora nos dados da inflação norte-americana, que poderão influenciar as expectativas quanto à trajectória das taxas de juro da Fed e, consequentemente, a evolução do dólar.
Entre as restantes principais divisas, o iene mantém-se relativamente estável, com o USD/JPY nos 158,40 e o EUR/JPY nos 177,35. A libra também regista poucas alterações, com o GBP/USD em 1,3250 e o EUR/GBP em 0,8450. O franco suíço continua a perder ligeiramente terreno, com o EUR/CHF nos 0,9330 e o USD/CHF nos 0,8330.
A divulgação da inflação norte-americana constitui o principal foco da sessão, numa altura em que os investidores procuram perceber se a evolução dos preços permitirá à Fed manter uma postura menos restritiva. Em paralelo, a escalada das tensões no Médio Oriente e o consequente risco de perturbações no abastecimento energético continuam a representar uma fonte de incerteza para os mercados globais.