Café da Manhã
Inflação pressiona mercados

Café da Manhã Inflação pressiona mercados

A inflação norte-americana acima do esperado reacendeu os receios de novas subidas de juros pela Fed e agravou a correcção tecnológica.

Wall Street encerrou a sessão de quarta-feira em terreno negativo, pressionada pelos dados da inflação norte-americana e pelo agravamento das perdas no sector tecnológico. O Nasdaq recuou 1,88%, registando a maior queda em três meses, enquanto o S&P 500 perdeu 1,10% e o Dow Jones cedeu 0,09%.

A inflação nos EUA voltou a surpreender pela positiva, no sentido desfavorável para os mercados. O índice de preços no consumidor subiu 3,7% em Setembro, em termos homólogos, acima dos 3,6% esperados, enquanto a inflação subjacente avançou 2,6%, também acima das previsões de 2,5%. Os dados reacenderam os receios de que a Reserva Federal possa voltar a subir as taxas de juro ainda este mês, numa altura em que persistem pressões sobre os preços. O Livro Bege da Fed apontou igualmente para a manutenção de pressões inflacionistas em várias regiões, apesar de a actividade económica ter registado um crescimento ligeiro a moderado noutras.
A correcção foi particularmente acentuada no sector tecnológico, com as empresas de semicondutores novamente sob pressão. As preocupações com os custos de financiamento do investimento em inteligência artificial estão também a colocar em causa a sustentabilidade da valorização do sector, num contexto de taxas de juro potencialmente mais elevadas.

O movimento prolongou-se esta quinta-feira aos mercados asiáticos, onde o índice MSCI Ásia-Pacífico caiu 2,8%. Na Coreia do Sul, o Kospi chegou a perder mais de 8%, levando à activação temporária de mecanismos de interrupção da negociação, e acabou por encerrar com uma queda de 7,57%. O Nikkei japonês recuou 4,77%, enquanto as bolsas chinesas também registaram perdas.

Na Europa, as bolsas negoceiam sem uma direcção definida, depois de terem iniciado a sessão em baixa. O Euro Stoxx 50 perde 0,35%, enquanto o DAX alemão negoceia praticamente inalterado. Em contrapartida, o CAC 40 francês avança 0,66% e o FTSE 100 britânico sobe 0,50%. Os investidores avaliam os dados económicos divulgados no Reino Unido e em França, aguardando ainda os números da produção industrial da Zona Euro. A evolução do conflito na Ucrânia permanece igualmente em foco, depois de Volodymyr Zelensky ter anunciado a intenção de retomar os ataques contra instalações energéticas russas, acusando Moscovo de não respeitar o cessar-fogo energético anunciado por Donald Trump.

No mercado petrolífero, os preços recuam, com os investidores a ponderarem os riscos de perturbações no abastecimento através do estreito de Ormuz e a possibilidade de os EUA aliviarem as sanções sobre navios que transportam petróleo russo, venezuelano e iraniano. A eventual flexibilização das restrições poderá aumentar a oferta disponível no mercado e reduzir os custos do transporte de petróleo. Em sentido contrário, os dados do American Petroleum Institute apontaram para uma redução de 11,12 milhões de barris nas reservas de crude dos EUA na semana terminada a 9 de Outubro, uma descida bastante superior à esperada. O Brent negoceia actualmente em torno dos 104,10 dólares por barril, enquanto o WTI se situa nos 94,10 dólares.

No mercado cambial, o dólar valorizou-se na quarta-feira, depois de os dados da inflação terem reforçado as expectativas de uma possível subida de juros pela Fed ainda este mês. O índice DXY ultrapassou os 102,70 pontos, atingindo o nível mais elevado desde Abril de 2025, enquanto o EUR/USD caiu para um novo mínimo do ano, nos 1,1112. Contudo, o movimento inverteu-se durante a sessão asiática, com os investidores a reduzirem novamente as expectativas de uma subida das taxas de juro. O DXY negoceia agora abaixo dos 102 pontos, enquanto o EUR/USD recupera para níveis acima de 1,1200.
Entre as restantes principais divisas, o iene mantém-se relativamente estável, com o USD/JPY em torno de 158,00 e o EUR/JPY próximo de 177,00. A libra regista perdas ligeiras, num contexto de maior aversão ao risco, com o GBP/USD nos 1,3245 e o EUR/GBP nos 0,8465. O franco suíço, por sua vez, beneficia da procura por activos de refúgio, com o EUR/CHF a negociar em torno de 0,9300 e o USD/CHF nos 0,8300.


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