A semana que começa
Geopolítica, Energia e resultados
O petróleo e as yields mantêm a inflação sob pressão, enquanto os conflitos no Médio Oriente e os resultados empresariais, em especial no sector tecnológico, colocam à prova a confiança dos investidores.
Mercados atentos à inflação, à geopolítica e aos resultados
A semana de 19 a 23 de Outubro deverá ser marcada pela pressão dos preços da energia sobre a inflação, a incerteza geopolítica e a divulgação de resultados empresariais do terceiro trimestre. A evolução das obrigações soberanas continuará a ser determinante para as expectativas de política monetária, numa altura em que os investidores avaliam também os custos e o financiamento dos investimentos em inteligência artificial (IA).

As yields das obrigações soberanas e o petróleo permanecem no centro das atenções. Na semana passada, a yield das obrigações do Tesouro norte-americano a dez anos fechou os 5,08%, enquanto a das obrigações alemãs equivalentes terminou a 3,42%. O Brent aproximou-se dos 110 dólares por barril, reflectindo os receios em torno do abastecimento energético. Yields e petróleo elevados podem prolongar as pressões inflacionistas, condicionando as decisões dos bancos centrais e a avaliação das acções, sobretudo das empresas mais sensíveis às taxas de juro.

No plano geopolítico, o conflito entre os Estados Unidos e o Irão continua a representar um risco importante para os mercados energéticos. Donald Trump admitiu a possibilidade de novos ataques a instalações associadas ao programa nuclear iraniano, enquanto Teerão intensifica a pressão sobre a navegação no Estreito de Ormuz. Em paralelo, os Houthis intensificaram os ataques contra alvos sauditas, incluindo infra-estruturas estratégicas em Riade. Na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, Moscovo anunciou a criação de uma zona de segurança junto à fronteira, enquanto persistem as tensões militares e diplomáticas. Qualquer agravamento poderá aumentar a volatilidade do petróleo e a aversão ao risco.

A agenda económica terá nos índices PMI preliminares de Outubro, a divulgar na sexta-feira, o principal destaque da semana, permitindo avaliar o ritmo da actividade económica. Na Zona Euro, Alemanha e França, as expectativas apontam para uma ligeira moderação, embora os indicadores devam continuar em território de expansão. Nos EUA, também se espera uma descida dos índices, mas mantendo sinais de uma actividade sólida. Os resultados serão relevantes para as perspectivas de crescimento e inflação e para as expectativas em torno da política monetária do BCE e da Fed, num contexto de pressão dos custos energéticos.

A Reserva Federal estará em período de silêncio antes da reunião de política monetária de 27 e 28 de Outubro. O calendário oficial estabelece o período de restrição à comunicação pública entre 17 e 29 de Outubro, pelo que não se esperam intervenções públicas dos responsáveis da instituição durante esta semana. Na ausência de novas indicações directas, os investidores deverão concentrar-se nos dados económicos, nas yields e nas expectativas implícitas nos mercados para antecipar a decisão da Fed.

A época de resultados ganha intensidade na quarta-feira, 21 de Outubro, com Meta, Tesla, IBM e SAP entre os nomes em destaque. Na Meta, as previsões apontam para receitas de 63,31 mil milhões de dólares e um lucro por acção de 5,60 dólares, tornando particularmente relevante a evolução dos investimentos em IA e a sua capacidade de gerar receitas. Na Tesla, o mercado estará atento às margens, aos custos e aos planos de investimento, num contexto de expectativas de queda do lucro por acção. Para a IBM e a SAP, a evolução da procura por soluções empresariais e serviços ligados à IA será igualmente importante. Os resultados e as perspectivas de despesa poderão influenciar a avaliação de todo o sector tecnológico.

Dados Económicos
Estados Unidos da América
Dados do mercado imobiliário e da actividade económica privada terão a atenção dos mercados durante esta semana.
Começamos com dados do mercado imobiliário com a divulgação do índice NAHB, onde o consenso aponta para um ligeiro recuo dos 32 no mês anterior para 31.
Na terça-feira iremos ter a divulgação dos números de licenças de construção do mês de Setembro, onde as estimativas apontam para uma redução de 0,7%, após a de 2,1% no mês anterior, de início de construção de imóveis onde se espera ver uma recuperação de 1,9%, depois da queda de 2,6% em Agosto, e ainda as vendas pendentes de imóveis, que deverão mostrar uma estabilização. Teremos também os dados semanais do emprego da ADP.
Na quinta-feira teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, com os mercados a esperarem de novo por cerca de 200 mil pedidos.
A semana termina com os dados da S&P Global de actividade económica. O consenso aponta para um abrandamento, com o índice PMI composto a recuar dos 58,4 para 57,6, onde o manufactureiro cai de 55,9 para 55,6 e o de serviços de 58,8 para 57,9. Teremos ainda os dados finais da confiança do consumidor da Universidade de Michigan, assim como os das expectativas de inflação.
Zona Euro
Por aqui serão também os dados da actividade económica privada, no último dia da semana, que irão reter principalmente a atenção dos mercados.
Começam por ser divulgados os dados em França, onde as estimativas apontam para um recuo no PMI composto de 51,1 para 50,1, onde tanto a actividade de serviços como a manufactureira deverão recuar, ficando acima, mas bem perto, da linha que separa a contracção da expansão. Na Alemanha, segundo o consenso, o PMI composto recuará de 53,8 para 53, mas com a actividade de serviços a subir de 52,9 para 53,1 e a manufactureira de 53,9 para 54.
Por fim teremos os dados agregados da Zona Euro, onde o consenso aponta para um recuo do índice composto de 53,1 para 52,3, mas mantendo-se em expansão. O índice manufactureiro deverá mostrar um recuo de 52,9 para 52,8 e o de serviços de 53 para 52,8.
Mas antes, a semana começa com as atenções voltadas para o índice alemão de confiança económica ZEW, onde o consenso aponta para uma queda na Zona Euro dos 25,8 para 23,6 e na Alemanha de 34,7 para 30,2. Ainda na terça-feira, os números da conta corrente na Zona Euro de Agosto, segundo as previsões, recuam dos 27,6 mil milhões de euros, para 25,2 mil milhões. Na Alemanha, o índice de preços no produtor deverá mostrar uma aceleração de 1,1% do mês de Agosto, para 1,5% em Setembro.
Na quinta-feira, o índice de confiança do consumidor do Eurostat deverá avançar dos -16,5 para -16.
Reino Unido
Iremos ter uma agenda bem preenchida de indicadores de primeira ordem, com a divulgação de dados do trabalho, dos preços e da actividade económica.
A semana começa com os dados do mercado de trabalho. As previsões apontam para que a taxa de desemprego se mantenha nos 4,9%. Os ganhos médios incluindo bónus deverão mostrar uma desaceleração de 3,9% para 3,8% e o número de pedidos de subsídio de desemprego deverá mostrar um aumento de 19,4 mil. A variação de emprego, segundo as previsões, deverá mostrar um aumento de 60 mil empregos.
Seguem-se os dados da inflação. Os preços em termos mensais, segundo as previsões, deverão mostrar uma subida de 0,3%, desacelerando dos 0,5% do mês de Agosto, com a inflação em termos homólogos a subir de 3,1% para 3,4%. Sem alimentos nem energia, a inflação subjacente deverá subir de 2,6% para 2,7%, com os preços em termos mensais a desacelerarem de 0,3% para 0,1%.
Na quinta-feira iremos ter o índice de expectativas de encomendas à indústria da CBI, com as estimativas a apontarem para uma queda dos -9 para -20.
Por fim, na sexta-feira, o índice PMI composto da S&P Global deverá mostrar novo abrandamento na actividade económica, baixando de 52,0 para 51,7, com o índice manufactureiro a cair de 51,9 para 51,8 e o de serviços de 52,1 para 51,9. Teremos também números das vendas a retalho que deverão em Setembro mostrar um aumento de 0,1%, desacelerando dos 0,5% apresentados em Agosto. Iremos ter ainda o índice de confiança do consumidor da GfK, onde as estimativas apontam para uma ligeira subida de -13 para -12.
Canadá
As atenções esta semana voltam-se de novo para a inflação. Os números deverão mostrar que os preços em Setembro subiram 0,2%, após a queda de 0,1% no mês de Agosto. A inflação anual deverá mostrar uma subida de 3% para 3,2%, enquanto sem energia nem alimentos se deverá manter nos 2,4%. O CPI trimmed-mean, a medida observada mais atentamente pelo Banco do Canadá, deverá manter-se nos 1,9%.
A semana irá terminar com os números das vendas a retalho. Em termos mensais as vendas deverão mostrar um crescimento de 1,3% em Agosto, depois da queda observada no mês anterior de 0,7%, onde se excluídas as vendas automóveis deverão apresentar um aumento de 1,2%. O número preliminar de Setembro, segundo as previsões, deverão mostrar um aumento de 0,3%.
Suíça
Por aqui teremos dados do comércio internacional, onde a balança comercial deverá apresentar um excedente em Setembro de 4,3 mil milhões de francos suíços, recuando dos 5,6 mil milhões no mês de Agosto.
China
Logo no início da semana teremos um conjunto interessante de dados económicos.
Começamos com os números do PIB do terceiro trimestre, onde as previsões apontam para um crescimento económico trimestral de 1,1%, acelerando dos 0,9% do trimestre anterior. Em termos homólogos, deverá mostrar um crescimento de 4,4%, após os 4,3% anteriores.
As vendas a retalho do mês de Setembro deverão mostrar um aumento de 0,5% em relação ao mesmo período no ano anterior, acelerando dos 0,4% do mês de Agosto.
A produção industrial deverá mostrar uma aceleração dos 5,2% em Agosto, para 5,4%.
A taxa de desemprego deverá continuar nos 5,3%.
O índice de preço de imóveis deverá voltar a baixar, de -3 para -3,1, tal como o investimento em activos fixos, de -7,2% para -7,3%, enquanto o investimento estrangeiro directo deverá melhorar de -5,3% para -4,8%.
Japão
A semana começa com o índice de actividade industrial terciária que, segundo as estimativas, deverá mostrar uma queda de 0,3%, após a subida de 0,4% em Julho.
As atenções começam por estar voltadas para os números do comércio internacional, onde a balança comercial de Setembro, segundo as previsões, deverá apresentar um défice de 250 triliões de ienes, após o défice do mês anterior de 1.106 mil milhões.
A semana termina com os dados da inflação e da actividade económica. A inflação, segundo as estimativas, deverá subir dos 1,9% para 2,3%, com a inflação subjacente, sem alimentos frescos, a subir de 1,7% para 2,1%. Os índices da S&P Global deverão mostrar um abrandamento da actividade económica, onde o PMI composto deverá mostrar uma queda dos 52,3 para 51,9, com o PMI de serviços a manter-se inalterado nos 51,3 e o manufactureiro a subir de 54,1 para 54,5.
Nova Zelândia
Por aqui é também a inflação a atrair a atenção dos mercados, com os números do terceiro trimestre a serem divulgados no último dia da semana. As previsões apontam para que os preços em termos trimestrais mostrem uma subida de 0,8%, desacelerando dos 1,5% apresentados no trimestre anterior. Em termos homólogos a inflação deverá cair dos 4,1% anteriores para 3,7%.
A semana começa com os dados de actividade económica, onde o PMI composto se deverá manter nos 52,5, enquanto o PMI de serviços deverá cair de 51,2 para 50,0. Teremos ainda os números da balança comercial de Setembro, que deverão apresentar um défice de 775 milhões de dólares neozelandeses, após o défice no mês anterior de 1349 milhões.
Austrália
Por aqui são os dados da actividade económica que irão compor a agenda da semana e que chegarão apenas no último dia da semana.
O PMI composto da S&P Global deverá mostrar uma queda dos 51,3 do mês anterior, para 50,5 em Outubro, onde recuam tanto a actividade manufactureira como a de serviços. Segundo o consenso, o PMI manufactureiro deverá manter-se em contracção, com o índice a cair de 49,6 para 49,4, enquanto o de serviços ainda se mantém em expansão, mas recuando de 51,9 para 51,1.

O Banco Popular da China
O banco central chinês deverá manter inalteradas as suas taxas preferenciais de empréstimo a 1 e 5 anos nos 3% e 3,5%, respectivamente, pelo 17º mês consecutivo.