Café da Manhã
Bolsas divididas, petróleo em alta

Café da Manhã Bolsas divididas, petróleo em alta

Wall Street recupera com o regresso das compras às tecnológicas, mas as bolsas asiáticas e europeias recuam. O petróleo segue em alta e a instabilidade em França pressiona o euro.

As bolsas internacionais apresentam um desempenho misto, com a recuperação das tecnológicas em Wall Street a contrastar com as perdas na Ásia e na Europa. Os investidores continuam atentos à sustentabilidade do investimento em inteligência artificial, aos resultados empresariais e à evolução dos riscos geopolíticos. Em França, a instabilidade política penaliza os activos nacionais, enquanto a subida do petróleo volta a reforçar as preocupações com a inflação.

Nos EUA, Wall Street recuperou ontem parte das perdas recentes, com o regresso das compras às acções tecnológicas e, em particular, às empresas de semicondutores. O Nasdaq avançou 1,11% e o S&P 500 ganhou 0,41%, enquanto o Dow Jones terminou praticamente inalterado, com uma queda de 0,07%. O índice de semicondutores da Filadélfia subiu 1,6%, interrompendo uma sequência de oito sessões consecutivas de perdas, a mais longa desde Outubro de 2008. A recuperação reflecte a expectativa de que o investimento em inteligência artificial continue a sustentar os resultados empresariais, embora persistam dúvidas quanto à capacidade de manter o actual ritmo de crescimento. A atenção centra-se agora nos resultados de grandes empresas tecnológicas, que poderão ajudar a determinar a sustentabilidade desta recuperação.

Na Ásia, os principais índices encerraram maioritariamente em queda, apesar da recuperação das tecnológicas norte-americanas na sessão anterior. A forte desvalorização da sul-coreana Elice, ligada às infra-estruturas de centros de dados, reacendeu os receios em torno do investimento em inteligência artificial. O Kospi caiu 3,73%, enquanto o Nikkei recuou 1,16% e o Hang Seng perdeu 1,40%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 desvalorizou 0,33%. Na China, o Shanghai Composite avançou 0,12%, enquanto o Shenzhen Composite recuou 0,54%. A decisão do Banco Popular da China de manter as taxas de juro inalteradas pelo 17.º mês consecutivo também esteve no radar dos investidores.

Na Europa, as bolsas negoceiam em terreno negativo, com a atenção centrada nos indicadores económicos e na instabilidade política em França. Os protestos, que evoluíram para episódios de violência, aumentaram a incerteza política e pressionaram as obrigações francesas, levando as respectivas yields a subir. O DAX recua 0,93%, enquanto o Euro Stoxx 50 perde 0,96%. O CAC 40 e o FTSE 100 registam quedas de 0,54%. Os investidores acompanham também os dados da inflação na produção na Alemanha, do mercado de trabalho britânico e do comércio externo suíço.

No mercado petrolífero, os preços voltam a subir, com o Brent a aproximar-se de máximos de cinco meses, num contexto de agravamento dos riscos geopolíticos no Médio Oriente. Os ataques dos Houthis contra infra-estruturas sauditas e as notícias de incidentes com embarcações no Golfo reforçam os receios de perturbações no abastecimento. O Brent negoceia em torno dos 110,60 dólares por barril, enquanto o WTI se situa perto dos 99,40 dólares. A persistência destas tensões mantém um prémio de risco nos preços da energia, com potenciais implicações para as expectativas de inflação e para a política monetária.

No mercado cambial, a volatilidade mantém-se relativamente contida, numa semana com poucos indicadores económicos de relevo e em que os investidores começam a preparar-se para as decisões dos principais bancos centrais na próxima semana. O dólar conserva um tom firme, com o índice DXY nos 102,60 pontos e o EUR/USD em torno de 1,1230. O iene perde algum terreno, com o USD/JPY a negociar perto de 158,20 e o EUR/JPY nos 177,60. A libra continua a destacar-se pela positiva, apoiada por dados do mercado de trabalho britânico acima das expectativas, com o EUR/GBP em 0,8410 e o GBP/USD em 1,3350. O franco suíço recua ligeiramente dos máximos recentes, mas mantém-se sustentado pela procura de activos de refúgio, com o EUR/CHF nos 0,9260 e o USD/CHF perto de 0,8245.


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