Café da Manhã
Sob pressão renovada
As bolsas recuam, enquanto o petróleo sobe, perante as dúvidas em torno do investimento em inteligência artificial e o agravamento das tensões no Médio Oriente.
As bolsas internacionais voltam a negociar sob pressão, com os resultados das grandes tecnológicas a não conseguirem dissipar as dúvidas em torno da sustentabilidade do investimento em inteligência artificial. Na Europa, a subida das yields das obrigações francesas e a deterioração das perspectivas orçamentais acrescentam incerteza, enquanto o agravamento das tensões no Médio Oriente volta a impulsionar os preços do petróleo. No mercado cambial, o dólar recua ligeiramente, enquanto o iene e as moedas europeias beneficiam de factores específicos e da procura por activos de refúgio.
Nos EUA, Wall Street encerrou a sessão de quarta-feira em alta, com os investidores a posicionarem-se para uma sessão movimentada de resultados empresariais. O Dow Jones avançou 0,69%, o Nasdaq ganhou 1,05% e o S&P 500 subiu 0,59%. Contudo, os resultados das grandes tecnológicas divulgados após o fecho não conseguiram reforçar de forma convincente o optimismo em torno da inteligência artificial. A Meta anunciou um aumento das perspectivas de investimento e novas iniciativas nesta área, enquanto a Tesla reviu em baixa o objectivo de investimento de capital para 2026, de mais de 25 mil milhões para 20 mil milhões de dólares. A reacção diferenciada das duas empresas voltou a evidenciar as dúvidas dos investidores quanto à dimensão dos investimentos necessários e à sua capacidade para gerar retornos suficientes.
Na Ásia, os principais índices registaram perdas generalizadas, num contexto de maior prudência antes de uma nova vaga de resultados empresariais e de persistentes dúvidas em torno do sector tecnológico. O Kospi sul-coreano caiu 3,52%, enquanto o Nikkei japonês recuou 2,40%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 perdeu 0,43%, ao passo que, na China, o Shanghai Composite desvalorizou 1,48% e o Shenzhen Composite caiu 1,84%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 3,09%. Entretanto, o Banco da Coreia manteve a taxa de juro directora nos 3%, interrompendo o ciclo de duas subidas consecutivas de 25 pontos base.
Na Europa, as bolsas negoceiam em terreno negativo, com os investidores atentos aos resultados empresariais e à evolução da situação orçamental francesa. O DAX recua 1,09%, o CAC 40 perde 1,20% e o Euro Stoxx 50 desvaloriza 1,58%, enquanto o FTSE 100 cai 0,69%. Em França, as yields das obrigações a dez anos atingiram os 5% pela primeira vez desde 2002, reflectindo as preocupações com o aumento da dívida pública e a capacidade do Governo para consolidar as contas públicas. O diferencial face às obrigações alemãs alargou-se para máximos de 15 anos. Na frente empresarial, a Roche registou um crescimento de 8% nas vendas do terceiro trimestre, enquanto o Barclays aumentou as receitas totais em 3%.
No mercado petrolífero, os preços voltam a subir, impulsionados pelo agravamento dos riscos geopolíticos no Médio Oriente. Os ataques dos Houthis contra infra-estruturas sauditas, incluindo um ataque com drones a um campo petrolífero da Aramco que provocou duas mortes, levaram os EUA a ordenar a saída de pessoal não essencial e dos seus familiares de algumas missões diplomáticas no país. O aumento das preocupações com possíveis perturbações no abastecimento sustenta os preços, apesar de os fluxos de exportação através do Estreito de Ormuz estarem a acelerar. O Brent negoceia em torno dos 108 dólares por barril, enquanto o WTI se situa perto dos 100 dólares, mantendo-se o risco geopolítico como um dos principais factores de suporte ao mercado.
No mercado cambial, o dólar regista perdas ligeiras, com o índice DXY a negociar em torno dos 101,35 pontos e o EUR/USD perto de 1,1235. O iene destaca-se pela positiva, apoiado pelas expectativas de novas subidas de taxas pelo Banco do Japão, depois de o principal sindicato do país ter apontado para um aumento salarial de 6%. O USD/JPY recua para 157,20 e o EUR/JPY situa-se nos 176,60. A libra mantém a tendência de valorização, com o EUR/GBP nos 0,8380 e o GBP/USD em 1,3410. Por sua vez, o franco suíço continua a beneficiar da procura por activos de refúgio, levando o EUR/CHF a descer para 0,9220 e o USD/CHF para 0,8200.