EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

A aversão ao risco nos mercados financeiros aumentou, mas o dólar não sai favorecido, nem o euro particularmente pressionado. Será que as reuniões de política monetária em Frankfurt e nos EUA poderão alterar este cenário?

A semana passada, relativamente ligeira em termos de indicadores económicos, terminou com a divulgação dos PMI preliminares de Outubro, tanto na Zona Euro como nos EUA, e manteve o EUR/USD num intervalo relativamente reduzido.

Os mercados revelaram algum sentimento de aversão ao risco, o que poderia dar suporte ao dólar, mas tal não se verificou de forma clara. As yields das Treasuries a 10 anos recuaram abaixo dos 5%, depois de terem atingido máximos superiores a 5,30%, enquanto os preços do petróleo continuaram em alta, impulsionados pelas tensões crescentes no Médio Oriente e pelos receios de novas perturbações na oferta. Ambos os factores poderiam favorecer o dólar e pressionar o EUR/USD, mas a reacção cambial foi limitada. A pressão sobre os mercados accionistas, em especial sobre o sector tecnológico e as empresas ligadas à inteligência artificial, poderá ter contribuído para esta falta de direcção, embora não seja possível atribuir-lhe, isoladamente, a evolução do dólar.

Por outro lado, também não foi propriamente o euro a dar sinais de força. A moeda única terminou a semana sob pressão face a várias moedas do G10. A situação em França, com os protestos e as dificuldades em aprovar um orçamento que permita uma consolidação orçamental credível, continua a pesar sobre o sentimento dos investidores. A incerteza política e os receios quanto à sustentabilidade das contas públicas não ajudam a perspectiva para o euro. O diferencial entre as yields das OAT francesas e das Bunds alemãs permanece próximo de máximos de cerca de 15 anos, reflectindo a crescente preocupação dos investidores com o risco francês.

Os PMI divulgados na sexta-feira confirmaram um abrandamento da actividade económica na Zona Euro, enquanto nos EUA o crescimento continua robusto, apesar de uma ligeira perda de dinamismo. O EUR/USD recuou dos máximos da semana, próximos de 1,1260, e terminou perto de 1,1200, sem conseguir prolongar a recuperação das semanas anteriores.

Esta semana será marcada pelas reuniões da Fed e do BCE, mas também pela divulgação de dados importantes sobre a inflação e o crescimento económico. Comecemos pela política monetária, cujas decisões antecedem a divulgação de alguns dos principais indicadores.

Os mercados antecipam a manutenção das taxas de juro em ambos os bancos centrais, mas continuam a atribuir uma probabilidade significativa a novas subidas em Dezembro. A comunicação será, por isso, determinante. Kevin Warsh poderá continuar a evitar dar indicações claras sobre o próximo passo da Fed, enquanto Christine Lagarde terá de equilibrar os riscos associados à inflação com os sinais de abrandamento da actividade económica. Uma maior preocupação do BCE com o crescimento poderá pressionar o euro. Pelo contrário, se Lagarde reforçar a necessidade de combater a subida dos preços, sobretudo perante o risco de efeitos de segunda ordem da inflação, as expectativas de novas subidas das taxas poderão dar algum suporte à moeda única.

Teremos também os dados do PIB do terceiro trimestre. Neste domínio, as expectativas favorecem claramente os EUA. O mercado espera uma aceleração do crescimento norte-americano, de 2,2% no segundo trimestre para 3,0% no terceiro, a uma taxa anualizada. Na Zona Euro, pelo contrário, as estimativas apontam para um abrandamento da variação trimestral do PIB, de 0,6% para 0,2%.

A isto junta-se a expectativa de uma subida mensal de 0,3% do índice de preços PCE subjacente nos EUA, com a taxa homóloga a acelerar de 3,0% para 3,1%, afastando-se ainda mais do objectivo de 2% da Fed. Se estes números se confirmarem, reforçarão a ideia de que a inflação continua demasiado elevada e de que as taxas de juro poderão permanecer em níveis restritivos durante mais tempo. Um cenário que poderá voltar a favorecer o dólar face ao euro.

Em minha opinião, o cenário continua a inclinar-se para a continuação da tendência descendente do EUR/USD, depois da pequena correcção das últimas semanas. A divergência entre o crescimento económico dos EUA e o da Zona Euro, a perspectiva de taxas de juro norte-americanas elevadas e os riscos associados à situação em França continuam a limitar o potencial de recuperação da moeda única. O nível psicológico de 1,1000 poderá, assim, voltar a entrar no horizonte dos investidores, embora a evolução das expectativas para a Fed e o BCE possa ainda provocar movimentos de correcção ao longo do percurso.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD voltou a registar uma volatilidade mais reduzida, ficando contido entre um mínimo de 1,1180 e um máximo de 1,1260.

O MACD continua a mostrar o “momentum” negativo do par, seguindo abaixo da linha neutra e da linha de sinal.

Depois de ter recuado do mínimo do ano a 1,1112, o par precisa agora de romper a resistência a 1,1275, para voltar uma tentativa de um teste à agora resistência dada pelo mínimo de Agosto de 2025 a 1,1390, e se ultrapassada à referência dada pela média móvel das 21 semanas, de momento a 1,1452.

O voltar à tendência principal (descendente), quebrando a referência dada pelo novo mínimo do ano a 1,1121, coloca de novo o par no caminho de um teste ao nível psicológico 1,1100, antes do exposto suporte a 1,1065, dado pelo mínimo de Maio de 2025, e o nível psicológico de 1,1000.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O movimento ascendente do EUR/USD da semana anterior, após ter registado um novo mínimo a 1,1112, não teve continuação na semana passada, com o preço a estabilizar em torno de 1,1200.

A linha do MACD continua bem abaixo da linha neutra, mostrando o momentum negativo no par, mas com a linha de Sinal abaixo da linha de MACD sinaliza a possibilidade de uma inversão do momentum no par.

1,1180 / 1,1275 poderá continuar a ser a área de consolidação.

O ultrapassar da área de resistência 1,1269/1,1275 poderá dar força ao par para atingir um possível primeiro objectivo da correcção do movimento que trouxe o preço desde o máximo de Setembro até ao mínimo deste mês e ano, que poderá estar nos 38,2% Fibonacci a 1,1319. O ultrapassar deste nível irá expor os 1,1390, referência dada pelo mínimo de Agosto de 2025, com o par a poder preparar-se para uma correcção mais ampla que o leve até aos 61,8% Fib do mesmo movimento, a 1,1447.

O break do suporte a 1,1180 poderá levar o par a retomar a tendência descendente principal, com o recente mínimo de 1,1112 de novo exposto, e com o EUR/USD a poder testar de forma mais agressiva a área 1,1112/1,1100. O quebrar desta área de suporte poderá colocar o par a caminho da próxima referência a 1,1065, dada pelo mínimo de Maio de 2025, antes do forte nível psicológico dos 1,1000.


Resistências - Suportes

1,1275 - 1,1180

1,1324 - 1,1100

1,1410 - 1,1065


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