Café da Manhã
Mercados em modo de espera

Café da Manhã Mercados em modo de espera

As bolsas negoceiam com cautela no arranque de uma semana marcada por decisões de bancos centrais e resultados empresariais, enquanto o petróleo recua dos máximos de seis meses.

As bolsas internacionais iniciam a semana com um comportamento prudente, numa altura em que os investidores acompanham a evolução das tensões geopolíticas no Médio Oriente e se preparam para uma agenda particularmente preenchida, com decisões de política monetária e resultados empresariais. A confiança em torno do sector da inteligência artificial continuará também sob escrutínio, num contexto em que os mercados procuram avaliar a sustentabilidade das valorizações das empresas tecnológicas.

Nos Estados Unidos, Wall Street terminou a última sessão da semana maioritariamente em baixa, pressionada pelo agravamento das tensões entre Washington e Teerão. Donald Trump voltou a admitir uma nova operação militar contra o Irão, enquanto as autoridades iranianas alertaram para as consequências de uma eventual invasão terrestre norte-americana. O Dow Jones perdeu 1,23%, o S&P 500 recuou 0,52% e o Nasdaq 100 cedeu 0,21%.
Na frente económica, o índice PMI composto dos Estados Unidos, divulgado pela S&P Global, desceu de 58,4 para 57,6 pontos em Outubro, em linha com as expectativas. Apesar do abrandamento, o indicador continua a sinalizar uma expansão robusta da actividade empresarial. O PMI da indústria subiu para 56 pontos, superando as previsões, enquanto o índice dos serviços recuou de 58,8 para 57,9 pontos.

Hoje, na Ásia, as principais bolsas encerraram a primeira sessão da semana com um desempenho misto. O Nikkei 225 japonês recuou 0,78%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong avançou 0,51%. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 1,46%. Na China continental, o Shanghai Composite subiu 0,19%, mas o Shenzhen Composite cedeu 0,04%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 valorizou 0,17%.

Na Europa, as principais praças negoceiam em terreno positivo, com os investidores atentos aos resultados empresariais, em particular aos dos grandes bancos europeus, e à próxima decisão do Banco Central Europeu (BCE). Os dados sobre os preços na produção em Espanha e o clima empresarial na Alemanha também estão no radar dos mercados. O DAX alemão e o CAC 40 francês avançam cerca de 0,85%, acompanhados pelo Euro Stoxx 50 em 0,48%, enquanto o FTSE 100 britânico sobe 0,47%.

No mercado petrolífero, os preços corrigem parcialmente dos máximos de seis meses, numa reacção que poderá reflectir os esforços diplomáticos para reduzir as tensões no Médio Oriente. A presença de mediadores do Qatar em Teerão, no domingo, no âmbito de contactos destinados a promover uma desescalada regional, trouxe algum alívio aos mercados. Ainda assim, os ataques persistentes contra a Arábia Saudita mantêm os investidores cautelosos perante os riscos para a oferta. O Brent negoceia em torno dos 109,50 dólares por barril, enquanto o WTI se situa perto dos 100,80 dólares.

No mercado cambial, o dólar inicia a semana praticamente inalterado face ao fecho anterior, com o índice do dólar (DXY) a negociar em torno dos 101,60 pontos. O EUR/USD mantém-se próximo de 1,1200, sem uma direcção clara no arranque da semana.
O iene perde terreno face aos máximos alcançados na semana passada, com o USD/JPY a subir para 157,25 e o EUR/JPY a negociar perto de 176,35. Também a libra esterlina corrige parte dos ganhos recentes, levando o EUR/GBP de regresso à zona dos 0,8400 e o GBP/USD para perto de 1,3350.
O franco suíço acompanha este movimento, com o EUR/CHF a negociar em torno de 0,9260 e o USD/CHF próximo de 0,8260.

A semana começa, assim, com os mercados condicionados por três factores principais: a evolução das tensões geopolíticas, as decisões dos bancos centrais e os resultados empresariais, que poderão ajudar a determinar se as actuais valorizações das bolsas, em particular no sector tecnológico, continuam sustentáveis. Até lá, a evolução do petróleo e das expectativas em torno das taxas de juro deverá continuar a influenciar o apetite pelo risco e o comportamento das principais divisas.


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