Café da Manhã
IA e bancos centrais em foco
Wall Street sobe após a Fed manter as taxas, mas os resultados da Alphabet reacendem dúvidas sobre o investimento em inteligência artificial. Na Europa, os mercados aguardam o BCE.
As bolsas internacionais apresentam um comportamento misto, com os investidores a dividirem a atenção entre as decisões dos bancos centrais, os resultados empresariais e as dúvidas em torno da rendibilidade dos elevados investimentos em inteligência artificial. A decisão da Reserva Federal norte-americana (Fed) de manter as taxas de juro inalteradas trouxe poucas indicações sobre os próximos passos da política monetária, enquanto os resultados da Alphabet reacenderam as preocupações em torno do sector tecnológico.
Nos Estados Unidos, Wall Street encerrou a sessão de quarta-feira em terreno positivo, depois de a Fed ter mantido as taxas de juro no intervalo entre 3,75% e 4%, numa decisão aprovada por 10 votos contra dois. O Dow Jones subiu 0,19%, o Nasdaq avançou 0,27% e o S&P 500 ganhou 0,28%.
A Fed voltou a sublinhar que as próximas decisões dependerão dos dados económicos, sem dar indicações claras sobre a possibilidade de uma nova subida das taxas em Dezembro. Kevin Warsh, afirmou que o crescimento do PIB poderá superar os 3% no terceiro trimestre.
Entretanto, os resultados da Alphabet reacenderam as dúvidas sobre a dimensão dos investimentos em inteligência artificial e a sua capacidade para gerar retornos suficientes. As acções da empresa recuaram cerca de 10% nas negociações após o fecho, depois de as receitas ficarem aquém das expectativas. Em sentido contrário, a Microsoft valorizou no mercado pós-fecho, apoiada pelo crescimento das receitas na área da computação em nuvem. A evolução destas empresas deverá continuar a condicionar o sentimento em torno do sector tecnológico.
Na Ásia, as bolsas fecharam sem uma tendência definida. O Nikkei 225 japonês avançou 1,00%, enquanto o Kospi sul-coreano recuou 1,24%, penalizado pela queda das acções da Samsung Electronics após resultados abaixo das expectativas e pela ausência de novidades quanto à remuneração dos accionistas. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,59%, enquanto o Shanghai Composite e o Shenzhen Composite recuaram 0,82% e 1,03%, respectivamente. Na Austrália, o S&P/ASX 200 valorizou 0,50%.
Na Europa, as principais bolsas negoceiam em alta, com os investidores a avaliarem os resultados empresariais e a aguardarem a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). O DAX alemão sobe 0,81%, o CAC 40 francês avança 0,92% e o FTSE 100 britânico ganha 0,41%. O Euro Stoxx 50 valoriza 0,12%. Entre as empresas que apresentaram resultados encontram-se as petrolíferas Shell e TotalEnergies, os bancos Lloyds, ING e Société Générale e os fabricantes automóveis Renault e Volkswagen.
No mercado petrolífero, os preços recuam, corrigindo parte dos ganhos da sessão anterior, numa altura em que as perspectivas de negociações de paz atenuam os receios de perturbações no abastecimento no Médio Oriente. Ainda assim, a escalada das tensões na região continua a representar um risco para a oferta. O Brent negoceia em torno dos 109,70 dólares por barril, enquanto o WTI se situa perto dos 100,70 dólares.
No mercado cambial, o dólar mantém-se firme, apesar de as yields das obrigações do Tesouro norte-americano terem recuado dos máximos recentes, após a decisão da Fed. O índice DXY negoceia em torno dos 102 pontos, enquanto o EUR/USD se situa perto de 1,1135, com os investidores à espera da decisão do BCE e das indicações sobre a evolução futura das taxas de juro na Zona Euro.
O iene negoceia relativamente estável, com o USD/JPY nos 157,90 e o EUR/JPY em torno dos 175,90. A libra esterlina mantém-se próxima dos máximos recentes, com o EUR/GBP nos 0,8370 e o GBP/USD nos 1,3300. Também o franco suíço apresenta poucas alterações, com o EUR/CHF a negociar em torno dos 0,9225 e o USD/CHF perto dos 0,8285.
A sessão fica marcada pela decisão do BCE e pela divulgação de novos resultados empresariais, num contexto em que os investidores procuram perceber até que ponto o investimento em inteligência artificial continuará a justificar as actuais valorizações. No mercado cambial, a evolução das expectativas de taxas de juro continuará a ser determinante para o dólar e para o EUR/USD, enquanto no petróleo os riscos geopolíticos permanecem no centro das atenções.