A semana que começa
Midterms, juros e Irão
Midterms nos EUA, risco de novos ataques ao Irão, BoE e RBA a subir juros, payrolls e mais resultados empresariais: uma semana decisiva, com o petróleo perto de máximos de seis meses e a IA sob escrutínio.
Esta semana será marcada por vários acontecimentos capazes de influenciar os mercados financeiros. As eleições intercalares nos Estados Unidos, a evolução do conflito no Médio Oriente, as decisões de vários bancos centrais e os números do mercado de trabalho norte-americano estarão no centro das atenções. A época de resultados empresariais continuará também a testar a confiança dos investidores, sobretudo no sector tecnológico e nos investimentos em inteligência artificial (IA).

A semana começa logo com os resultados da Apple e da Palantir, mas o grande momento chega terça-feira, dia 3, com as eleições intercalares norte-americanas. As eleições não envolvem a escolha do Presidente, mas podem alterar o equilíbrio de poder no Congresso durante os dois últimos anos do mandato de Donald Trump.
Estão em disputa os 435 lugares da Câmara dos Representantes, 35 cadeiras no Senado e 36 governos estaduais, com o controlo de ambas as casas do Congresso genuinamente em aberto. Os republicanos detêm actualmente maiorias reduzidas nas duas câmaras, enquanto as sondagens favorecem os democratas na Câmara dos Representantes. O resultado poderá condicionar a política orçamental, a legislação económica e as negociações sobre o financiamento do Governo.
Para os mercados, o resultado importa sobretudo pelo que implica em matéria fiscal, regulatória e de gasto público. O Congresso que sair das urnas terá de financiar o Governo até 11 de Dezembro, e a composição das câmaras determina quais as propostas que avançam ou morrem. O impacto poderá ser limitado, já que a Casa Branca mantém a última palavra sobre tarifas, política externa e regulação.

Sexta-feira, 6, chegam os nonfarm payrolls de Outubro. Em Setembro, a economia criou apenas 29 mil postos de trabalho, abaixo dos 90 mil esperados, e uma taxa de desemprego em 4,2%. Actualmente com cerca de 80% de probabilidade de subida de juros da Fed em Dezembro, segundo a FedWatch Tool da CME, qualquer surpresa pesará nas yields e no dólar.

Na geopolítica
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão, iniciada em Fevereiro, continua a dominar o preço do petróleo. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse sábado que Trump ainda não decidiu se retoma os ataques a Teerão, preferindo uma solução diplomática, enquanto mediadores do Catar levam novas propostas ao Irão. Nada está, portanto, decidido sobre um ataque após as eleições, mas a possibilidade mantém o prémio de risco em alta.
No Iémen, os Houthis afirmaram ter realizado seis ataques a aeroportos e instalações petrolíferas sauditas, apesar de um raro encontro entre dirigentes sauditas e iranianos em Teerão. Uma investigação sugere ainda que satélites russos estariam a ajudar os Houthis a atingir infra-estruturas energéticas sauditas, com impacto directo nos mercados de energia.
Na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o Kremlin e Kiev confirmaram conversas trilaterais com os EUA na primeira metade de Novembro, em Abu Dhabi, agendadas para o dia 10. A expectativa de um eventual avanço diplomático, ainda que frágil, é acompanhada de perto pelos mercados de matérias-primas.

Nos resultados empresariais, a Apple e a Palantir reportam na segunda-feira e a AMD na terça, todas depois do fecho. Esperam-se lucros por acção de cerca de 1,99, 0,41 e 1,93 dólares, respectivamente. Após as quedas da Alphabet, da Amazon e da Intel, devido aos custos da IA, os investidores vão avaliar se o investimento se traduz em receitas. A Qualcomm também reporta esta semana, assim como a Uber, Pfizer, McDonalds e Moderna entre outras.

Bancos Centrais
Banco de Inglaterra
O Banco de Inglaterra deverá subir a taxa directora em 25 pontos base, de 3,75% para 4,00%, perante a persistência da inflação e os riscos associados à evolução dos preços da energia. A decisão surge num contexto de divergências entre os membros do Comité de Política Monetária quanto à necessidade de manter uma política mais restritiva. Os investidores estarão especialmente atentos ao resultado da votação, às novas projecções económicas e às declarações do governador Andrew Bailey. Mais do que a subida, que estará em grande medida incorporada nos preços, será importante perceber se o banco central admite novos aumentos nos próximos meses ou se considera que uma única intervenção será suficiente para conter as pressões inflacionistas. A comunicação será determinante para a evolução da libra.
Reserve Bank of Australia
O Banco da Reserva da Austrália deverá subir a taxa directora em 25 pontos base, de 4,60% para 4,85%, procurando responder à persistência das pressões inflacionistas. Os dados mais recentes voltaram a revelar dificuldades no processo de desinflação, com a inflação subjacente a atingir 3,7% em termos homólogos no terceiro trimestre, acima das expectativas. A evolução dos preços da energia e a possibilidade de novas pressões sobre os custos das empresas e das famílias reforçam a necessidade de uma política monetária restritiva. Para além da decisão, os investidores estarão atentos às novas projecções económicas e às declarações da governadora Michele Bullock, procurando perceber se esta subida será suficiente ou se poderão seguir-se novos aumentos dos juros. Uma mensagem mais hawkish poderá dar suporte ao dólar australiano.
Norges Bank
O Norges Bank deverá manter a taxa directora nos 4,50%, depois das subidas efectuadas este ano. A moderação recente da inflação e alguns sinais de arrefecimento do mercado de trabalho dão margem ao banco central para aguardar antes de voltar a actuar. Ainda assim, as pressões sobre os preços continuam a justificar prudência, não estando excluída uma nova subida nos próximos meses. O principal foco dos investidores será a avaliação da inflação e a orientação para as próximas reuniões, sobretudo depois de o banco central ter mantido aberta a possibilidade de novo aperto monetário. A evolução dos preços do petróleo e do gás poderá também influenciar as perspectivas para a inflação e para a coroa norueguesa.
Riksbank
O banco central sueco deverá manter uma postura cautelosa, embora a possibilidade de uma subida de 25 pontos base, de 1,75% para 2,00%, tenha ganho força nas expectativas de mercado. A persistência dos riscos inflacionistas, em particular os associados aos preços da energia, poderá justificar uma posição mais restritiva, apesar dos sinais de alguma fragilidade da actividade económica. Os investidores estarão atentos às novas projecções e à comunicação do banco central, procurando perceber se uma eventual subida representa uma medida pontual ou o início de uma nova fase de aperto monetário. Uma orientação mais restritiva poderá favorecer a coroa sueca.
Banco Central do Brasil
O Banco Central do Brasil deverá manter a taxa Selic nos 13,75%, privilegiando a prudência perante as incertezas em torno da inflação, da política orçamental e da evolução do real. A pressão sobre a moeda brasileira poderá dificultar o processo de desinflação, aumentando os custos das importações e reduzindo a margem para novos cortes dos juros. Os investidores estarão atentos ao comunicado do Copom, sobretudo às referências aos riscos fiscais e às expectativas de inflação. Uma mensagem mais cautelosa poderá indicar que o banco central pretende manter os juros elevados durante mais tempo, enquanto uma avaliação mais favorável da inflação poderá abrir caminho à retoma gradual do ciclo de descidas.
Banco do México (Banxico)
O Banco do México deverá manter a taxa directora nos 6,50%, depois de ter adoptado uma postura mais prudente perante a persistência de algumas pressões inflacionistas. A evolução da inflação dos serviços, a resistência da actividade económica e o comportamento do peso mexicano serão factores importantes para a decisão. Os investidores procurarão sobretudo perceber se o banco central considera concluído o ciclo de descidas ou se ainda admite novos cortes nos próximos meses. Uma comunicação mais cautelosa, apontando para juros elevados durante mais tempo, poderá dar algum suporte ao peso mexicano.

Dados Económicos
Estados Unidos da América
A agenda bem composta da semana começa com os primeiros dados do ISM, com a divulgação do PMI manufactureiro. O consenso aponta para uma ligeira subida no índice de 54,5 para 54,7, como sempre os mercados estarão também atentos às componentes da produção, dos preços e do emprego. Teremos também a leitura final do índice PMI manufactureiro da S&P Global.
Na terça-feira teremos os primeiros dados do emprego, com a divulgação dos números das vagas de emprego JOLTS, onde as estimativas apontam para um aumento dos 7,08 milhões de vagas para 77,11 milhões. Teremos também os números das encomendas às fábricas, onde as previsões apontam para um aumento de 1,2%, acelerando dos 0,1% do mês anterior, e ainda o índice de optimismo económico RCM/TIPP, com o consenso a apontar para um pequeno recuo de 46,8 para 46,2.
Na quarta-feira é dia de números privados do emprego ADP, onde os mercados prevêem uma queda dos 90 mil apresentados em Setembro, para 68 mil empregos em Outubro. Iremos ter também o índice de serviços do ISM que as estimativas apontam para que se mantenha nos 54,9, tal como a leitura final do PMI de serviços da S&P Global. Os números do mês de Setembro da balança comercial, segundo as previsões, mostrará um défice de 107,9 mil milhões de dólares, ficando acima do número de Agosto de 105,6 mil milhões.
Quinta-feira é dia dos habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, que deverão mostrar uma subida dos 194 mil pedidos na semana anterior, para 197 mil. Teremos também o “Challenger Job Cuts”, onde as estimativas apontam para um aumento dos 43,3 mil de Setembro, para 51 mil em Outubro. Iremos ter ainda os números preliminares do custo laboral do terceiro trimestre que deverá, segundo as previsões, desacelerar dos 1,2% no segundo trimestre, para 0,3%.
Finalmente teremos o destaque da semana, os nonfarm payrolls. As previsões mostram um aumento dos 29 mil empregos criados em Setembro, para 63 mil em Outubro, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,2% e os ganhos médios salariais a acelerarem de 0,1% no mês anterior, para 0,3%. Iremos ter também os dados da Universidade de Michigan da confiança do consumidor, onde o consenso aponta para um recuo dos 48,0 do mês passado, para 47,6, e ainda as expectativas de inflação, onde no curto prazo poderão manter-se nos 4,7%, mas a 5 anos sobem de 3,5% para 3,6%.
Zona Euro
Após os números conhecidos na semana passada das maiores economias da Zona Euro, é a vez de termos os dados agregados da inflação. As previsões mostram que os preços subiram mensalmente em Outubro 0,2%, desacelerando dos 0,6% no mês anterior. A inflação anual sobe de 3,8% para 3,9%, enquanto a subjacente sobe de 2,5% para 2,6%.
Teremos também os números à porta das fábricas, onde o índice de preços no produtor mostrará uma subida de 2,3%, face a 1,9% no mês anterior, onde em termos homólogos mostra uma aceleração dos 8,2% do mês anterior, para 10,1% em Setembro.
Teremos ainda os números das vendas a retalho de Setembro, onde as estimativas apontam para uma queda mensal de 0,1%, com a medida homóloga a mostrar uma subida de 0,5%, e as leituras finais dos dados de actividade económica.
Em Espanha e Itália teremos esta semana os índices PMI da actividade económica. Em Espanha, o consenso aponta para um recuo do índice composto de 56,8 para 56,0, onde a actividade manufactureira cai de 51,0 para 50,6 e a de serviços de 58,3 para 57,5. Também em Itália o índice composto deverá mostrar um abrandamento da actividade económica ao cair de 51 para 50,2, com o sector de serviços a baixar de 51,7 para 51 e o manufactureiro de 50,4 para 49,7, entrando em contracção.
Na Alemanha a semana começa com a divulgação dos números das vendas a retalho de Setembro, com as previsões a mostrarem uma subida mensal de 0,4%, desacelerando dos 1,3% no mês anterior. Na quinta-feira teremos os números das encomendas às fábricas, que após a queda de 10,6% em Agosto, as previsões apontam para um aumento de 5,1% em Setembro. Por fim, a produção industrial deverá mostrar um crescimento de 0,5%, desacelerando dos 2% registados no mês anterior.
Em França, a produção industrial deverá mostrar em Setembro um crescimento de 0,4%, após a queda de 0,3% no mês anterior, e a balança comercial deverá apresentar um défice de 5,8 mil milhões de euros, baixando do de 6,1 mil milhões no mês de Agosto.
Em Itália, as vendas a retalho de Setembro, segundo as estimativas, deverão mostrar um crescimento de 0,2%, desacelerando dos 0,3% do mês anterior.
Reino Unido
Uma agenda económica muito ligeira durante esta semana, com as leituras finais dos PMI da S&P Global e ainda com o PMI da construção, onde o consenso aponta para uma ligeira subida de 46,1 para 46,5, mantendo-o em contracção.
Canadá
As atenções desta semana vão para os dados do mercado de trabalho. As previsões apontam para que a taxa de desemprego se mantenha nos 6,5%, com a taxa de participação a subir de 64,8% para 64,9%. O número de novos postos de trabalho deverá mostrar um aumento de 12,5 mil empregos, divididos equitativamente entre
empregos a tempo inteiro e tempo parcial.
Iremos ter os dados da actividade económica da S&P Global, com o índice composto a recuar de 48,7 para 48,5, com o da actividade de serviços a avançar de 48,3 para 48,4 e o manufactureiro a recuar de 51,5 para 51,0.
Teremos os números da balança comercial de Outubro, onde as previsões mostram um excedente de 6,1 mil milhões de dólares canadianos, depois dos 4,2 mil milhões registados no mês de Setembro.
Iremos ter também o índice Ivey PMI, onde o consenso aponta para uma queda de 58,2 para 57,7.
Suíça
A semana começa com os números das vendas a retalho do mês de Setembro que mostram um aumento mensal de 0,2%, desacelerando dos 0,4% no mês anterior, e com a medida homóloga a subir 3%, desacelerando dos 3,2% no mês de Agosto, e ainda o índice PMI manufactureiro que deverá mostrar uma subida para os 55,7, dos 55,3 apresentados no mês passado.
Terça-feira é dia de inflação com os dados de Outubro a mostrarem, segundo as previsões, uma estabilidade mensal dos preços e uma inflação anual a subir de 1% para 1,3%.
Na quinta-feira teremos a divulgação da taxa de desemprego que deverá se manter nos 3,1%.
Finalmente, a semana vai terminar com dados da confiança do consumidor que, segundo as estimativas, deverá mostrar uma subida ligeira de -36 para -35.
China
Depois dos dados oficiais é a vez dos dados privados da actividade económica. O índice PMI composto da RatingDog deverá mostrar uma queda de 52,4 para 52,2, mas mantendo-se em expansão. O sector de serviços deverá recuar ligeiramente de 51,6 para 51,5 e o manufactureiro de 52,1 para 51,6.
Japão
Iremos ter a divulgação dos dados de rendimentos salariais de setembro, onde o consenso do mercado espera que o crescimento salarial nominal abrande ligeiramente para 3,8% em termos homólogos, face aos 3,9% revistos anteriormente.
Nova Zelândia
Por aqui é também a semana de dados do emprego. Segundo as previsões, a taxa de desemprego no terceiro trimestre deverá baixar de 5,6% do segundo trimestre para 5,5%, com a taxa de participação a manter-se nos 70,7%. A variação no emprego deverá crescer 0,4%, desacelerando dos 0,5% do trimestre anterior. O índice de custo laboral no terceiro trimestre deverá mostrar uma desaceleração dos 0,7% do trimestre anterior, para 0,5%.
A semana irá começar com os números das licenças de construção em Setembro que, após o aumento de 5,6% em Agosto, deverão mostrar agora uma redução de 4%.
Austrália
A semana começa com os dados das licenças de construção que deverão mostrar, segundo as estimativas, um aumento de 1,8% em Setembro, após a redução de 6,1% em Agosto.
Mais tarde teremos dados da despesa das famílias em Setembro, onde as estimativas apontam para um aumento mensal de 0,2%, com a medida homóloga a baixar de 6,8% para 6,4%.
A semana termina com os números da balança comercial de bens de Setembro, onde o mercado estima um excedente de 960 milhões de dólares australianos, acima dos 500 milhões do mês anterior.