EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

Mais uma semana, mais um novo mínimo do EUR/USD. A Reserva Federal e o BCE entregaram o que os mercados esperavam, enquanto os investidores aguardam agora pelas eleições intercalares nos EUA.

O EUR/USD continua na sua tendência descendente, embora as recentes e ligeiras correcções comecem a abrandar o ritmo dessa queda.

Esta semana, depois de a Fed ter mantido as taxas dos fed funds inalteradas, o dólar registou perdas ligeiras. As yields das treasuries a dois anos recuaram de forma mais acentuada, depois de Kevin Warsh ter apresentado uma comunicação menos explicitamente hawkish do que eventualmente esperado pelo mercado.

O EUR/USD ganhou algum suporte, que acabaria por perder no dia seguinte, depois de o BCE ter também mantido inalteradas as suas taxas de juro. No mesmo dia, Christine Lagarde anunciou a sua saída antecipada, a 7 de Fevereiro do próximo ano, antes do final do seu mandato. A percepção de que a subida das yields obrigacionistas está, de alguma forma, a fazer parte do trabalho do BCE, ao tornar as condições financeiras mais restritivas, poderá ter contribuído para reduzir as expectativas de novas subidas das taxas de juro. Uma leitura que acabou por colocar mais pressão sobre o euro, levando o EUR/USD a registar um novo mínimo do ano, nos 1,1104.

Depois das decisões dos bancos centrais, tivemos novos dados sobre o crescimento económico. Nos EUA, a economia cresceu 3,4% no terceiro trimestre, bem acima dos 2,2% registados no segundo trimestre e dos 3,2% esperados pelo mercado. Também na Zona Euro a actividade económica mostrou maior resiliência do que o estimado. O crescimento do PIB abrandou de 0,6% para 0,4%, mas ficou acima dos 0,2% previstos. O core PCE subiu 0,3% em termos mensais e 3,1% em termos homólogos, em linha com as estimativas, mas continuando bem acima da meta de 2% da Fed.

O EUR/USD pouco reagiu a estes indicadores. A sua evolução foi bastante mais influenciada pela aversão ao risco em torno dos investimentos em inteligência artificial. A procura por activos de refúgio favoreceu as treasuries norte-americanas, pressionando as yields em baixa. O dólar recuou dos recentes ganhos e o EUR/USD voltou a corrigir em alta, chegando a negociar acima de 1,1200.

Tudo somado, tivemos mais uma semana com um novo mínimo no EUR/USD, mas em que o par, apesar das decisões dos bancos centrais, dos importantes dados económicos e da pressão vendedora nos mercados accionistas, acabou por permanecer num intervalo relativamente estreito, entre 1,1104 e 1,1226.

Será que estamos a preparar-nos para novos mínimos do ano, quem sabe mesmo abaixo do nível psicológico de 1,1000? Ou poderemos assistir a uma correcção mais forte, ou mesmo a uma inversão da tendência descendente dos últimos meses?

Para já, a semana começa com um evento que poderá trazer volatilidade adicional: as eleições intercalares norte-americanas.

Os mercados de previsão apontam para a possibilidade de o Partido Democrata conquistar a maioria tanto na Câmara dos Representantes como no Senado. Uma alteração desta dimensão no equilíbrio de poder poderá colocar alguma pressão sobre o dólar, sobretudo perante a possibilidade de maior dificuldade na aprovação de medidas legislativas e orçamentais por parte da Administração Trump. Ainda assim, o novo Congresso só tomará posse no início de Janeiro de 2027, pelo que, até lá, será sobretudo a antecipação dos possíveis efeitos políticos que poderá influenciar os mercados.

Esta semana teremos ainda o sempre importante relatório mensal do mercado de trabalho. Os mercados esperam uma recuperação dos 29 mil empregos criados em Setembro para cerca de 63 mil em Outubro, o que poderá reforçar a percepção de alguma estabilidade do mercado de trabalho e continuar a sustentar as expectativas de taxas de juro elevadas por mais tempo. Para além do emprego, teremos os importantes indicadores de actividade económica do ISM e ainda os dados da confiança dos consumidores da Universidade de Michigan. Leituras em linha ou acima das expectativas poderão continuar a dar suporte ao dólar norte-americano.

Na Zona Euro teremos os dados agregados da inflação. Depois dos números conhecidos das principais economias da região, o mercado espera uma subida da inflação de 3,8% para 3,9%. Uma leitura neste sentido, ou superior, poderá reforçar as expectativas de uma nova subida das taxas de juro por parte do BCE na última reunião do ano.

Em minha opinião, há poucas razões para esperar que o EUR/USD se afaste significativamente dos recentes mínimos. O intervalo entre 1,1100 e 1,1200 poderá continuar a manter o par condicionado durante mais algum tempo. No entanto, existem riscos importantes para esta perspectiva. O principal poderá advir da continuação da aversão ao risco em torno das empresas tecnológicas relacionadas com a inteligência artificial, bem como de uma eventual conquista das duas câmaras do Congresso pelo Partido Democrata. Em ambos os casos, poderemos assistir a uma nova pressão sobre o dólar e a uma correcção mais expressiva do EUR/USD.

Por outro lado, preços da energia mais elevados, um eventual retomar das hostilidades dos EUA contra o Irão e novos sinais de aquecimento da actividade económica, através dos indicadores do ISM, e do mercado de trabalho, através dos NFP, poderão pesar sobre o euro e, simultaneamente, impulsionar o dólar. Neste cenário, o EUR/USD poderá voltar a testar os recentes mínimos, mantendo o nível psicológico de 1,1000 na mira dos mercados.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD, numa semana um pouco mais volátil, registou um novo mínimo a 1,1104, mantendo a tendência descendente dos últimos meses.

Por aqui nada de novo, o MACD continua a mostrar o “momentum” negativo do par, seguindo abaixo da linha neutra e da linha de sinal.

Depois de ter registado um novo mínimo do ano a 1,1104, o par continua a precisar de romper a resistência a 1,1275, para voltar a tentar testar a agora resistência dada pelo mínimo de Agosto de 2025 a 1,1390, e se ultrapassada, teremos a próxima referência dada pela média móvel das 21 semanas, de momento a 1,1434.

O voltar à tendência principal (descendente), quebrando a área de suporte 1,1100/1,1112, dada pelo nível psicológico e pelos recentes mínimos do ano, coloca de novo o par no caminho de um teste ao nível psicológico 1,1000, tendo pelo meio o suporte a 1,1065, dado pelo mínimo de Maio de 2025.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

Após o novo mínimo do ano a 1,1104 o EUR/USD voltou a recuar, chegando mesmo a negociar de novo, por breves momentos, acima de 1,1200, mas uma vez mais esse movimento não teve continuação, e o par fechou a semana a 1,1155.

A linha do MACD continua bem abaixo da linha neutra, mostrando o momentum negativo no par e a linha de Sinal encontra-se abaixo da linha de MACD sinalizando a possibilidade de uma inversão do momentum no par.

O ultrapassar da resistência a 1,1214 poderá levar o par a tentar um teste à resistência mais forte a 1,1275. O ultrapassar desta resistência poderá dar força ao EUR/USD para tentar um possível primeiro objectivo da correcção do movimento que trouxe o preço desde o máximo de Setembro até aos mínimos deste mês e ano, que poderá estar nos 38,2% Fibonacci a 1,1319. O ultrapassar deste nível irá expor os 1,1390, referência dada pelo mínimo de Agosto de 2025, com o par a poder preparar-se para uma correcção mais ampla que o leve até aos 61,8% Fib do mesmo movimento, a 1,1447.

O break da área de suporte 1,1104/1,1112, dada pelos recentes mínimos do mês e do ano, poderá levar o par a retomar a tendência descendente principal. O quebrar desta área expõe a próxima referência a 1,1065, dada pelo mínimo de Maio de 2025, antes do forte nível psicológico dos 1,1000.


Resistências - Suportes

1,1214 - 1,1104

1,1275 - 1,1065

1,1324 - 1,1000


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