Café da Manhã
Eleições e tensão no Irão

Café da Manhã Eleições e tensão no Irão

As eleições intercalares nos Estados Unidos condicionam o sentimento dos mercados, enquanto a incerteza no Médio Oriente volta a pressionar o petróleo.

Os mercados começam esta terça-feira sob o signo da cautela, com as eleições intercalares nos Estados Unidos a concentrarem as atenções dos investidores. A pressão sobre as tecnológicas continua a penalizar Wall Street e os mercados asiáticos, enquanto a evolução da situação no Médio Oriente mantém o petróleo particularmente sensível às notícias sobre as relações entre Washington e Teerão.

Nos Estados Unidos, os eleitores vão hoje às urnas para escolher os 435 membros da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 lugares do Senado. As sondagens e os mercados de previsão apontam para uma vitória dos Democratas na Câmara dos Representantes, enquanto a disputa pelo controlo do Senado permanece mais equilibrada. O resultado poderá começar a ficar definido durante a manhã de quarta-feira, hora de Lisboa, embora uma votação muito renhida possa prolongar a contagem. A eventual alteração do equilíbrio de poder no Congresso poderá condicionar os últimos dois anos do mandato de Donald Trump.

Em Wall Street, as bolsas terminaram a sessão de segunda-feira maioritariamente em baixa, depois de terem perdido os ganhos iniciais. O Dow Jones conseguiu avançar 0,42%, mas o S&P 500 recuou 0,50% e o Nasdaq perdeu 1,07%, prolongando a rotação de investimentos para fora do sector tecnológico. Entre as empresas em destaque, a Oracle caiu mais de 6%, depois de anunciar planos para captar 20 mil milhões de dólares destinados à expansão da sua actividade na inteligência artificial. Entretanto, o índice ISM da indústria norte-americana subiu de 54,5 para 55,5 pontos em Outubro, superando as expectativas e apontando para uma actividade industrial mais robusta.

Na Ásia, as bolsas registaram perdas generalizadas, acompanhando a pressão sobre as tecnológicas norte-americanas e a cautela antes das eleições nos Estados Unidos. O Kospi sul-coreano destacou-se pela negativa, com uma queda de 3,59%, penalizado pelas perdas superiores a 4% da Samsung Electronics e da SK Hynix. O Shanghai Composite recuou 0,82% e o Shenzhen Composite perdeu 0,20%, enquanto o Hang Seng conseguiu contrariar a tendência, com uma subida de 0,57%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 avançou 0,34%, depois de o banco central ter aumentado a taxa directora em 25 pontos base, para 4,85%. A decisão foi acompanhada por uma comunicação menos restritiva, levando o mercado a considerar que o ciclo de subida dos juros poderá estar próximo do fim. A bolsa japonesa esteve encerrada devido a um feriado.

Na Europa, as principais bolsas negoceiam em baixa, depois de notícias sobre alegados novos ataques norte-americanos à ilha iraniana de Qeshm terem reavivado os receios de uma escalada do conflito no Médio Oriente. O DAX perde 0,70%, o Euro Stoxx 50 recua 0,65%, o FTSE 100 cede 0,40% e o CAC 40 desvaloriza 0,30%.

No mercado petrolífero, os preços recuperam ligeiramente, depois da forte queda registada na segunda-feira, a maior num só dia em vários meses. O crude chegou a perder mais de 7%, com o Brent a negociar abaixo dos 105 dólares por barril, perante sinais de maior abertura de Teerão às negociações com Washington. O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, indicou que o Governo recebeu maior margem de actuação para prosseguir as conversações de paz, enquanto Donald Trump também manifestou optimismo quanto à possibilidade de um acordo. Contudo, as notícias sobre novos ataques norte-americanos à ilha de Qeshm voltaram a introduzir incerteza e a sustentar os preços. O Brent negoceia agora em torno dos 106,70 dólares por barril e o WTI nos 98,20 dólares.

No mercado cambial, o dólar continua a apresentar uma evolução relativamente contida, entre ganhos e perdas, com os investidores concentrados nas eleições intercalares norte-americanas. O EUR/USD recuou dos máximos acima de 1,1200 registados na sessão anterior, negociando agora próximo de 1,1180. O índice DXY recupera para 101,65 pontos, depois de ter recuado na segunda-feira.
O iene continua a perder terreno, anulando parte dos ganhos da semana anterior, com o USD/JPY novamente acima de 158,00 e o EUR/JPY em torno de 177,00. A libra mantém-se relativamente estável, com o GBP/USD próximo de 1,3415 e o EUR/GBP nos 0,8340, numa semana em que a reunião do Banco de Inglaterra continua no centro das atenções.
Em sentido contrário, o franco suíço regista uma valorização expressiva, depois de os dados da inflação terem superado as previsões do mercado. O EUR/CHF recuou para mínimos de cinco meses, abaixo de 0,9140, enquanto o USD/CHF caiu para perto de 0,8150. Já o dólar australiano perdeu força, apesar da subida das taxas de juro pelo RBA, com a comunicação menos restritiva do banco central a alimentar a expectativa de que o actual ciclo de aperto monetário poderá ter chegado ao fim.


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