Café da Manhã
Democratas agitam os mercados

Café da Manhã Democratas agitam os mercados

A vitória dos Democratas nas eleições intercalares norte-americanas condiciona os mercados, pressionando o dólar e alimentando a procura por dívida pública.

A vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições intercalares nos Estados Unidos, que lhe permitiu conquistar a maioria nas duas câmaras do Congresso, está a provocar reacções nos mercados financeiros. O resultado representa uma derrota significativa para Donald Trump e poderá limitar a capacidade do Presidente para avançar com a sua agenda legislativa, aumentando também o risco de bloqueio político em Washington. Os investidores antecipam igualmente um maior escrutínio regulatório sobre alguns sectores, em particular as empresas tecnológicas e ligadas à inteligência artificial, enquanto a possibilidade de menor margem para novos cortes fiscais e aumentos da despesa poderá favorecer o mercado obrigacionista.

Em Wall Street, as bolsas terminaram a sessão de terça-feira maioritariamente em alta, com a recuperação das tecnológicas e o regresso do interesse pela inteligência artificial a sustentarem os principais índices. O Nasdaq 100 avançou 0,83% e o S&P 500 ganhou 0,37%, enquanto o Dow Jones recuou 0,38%. Os investidores acompanharam também os desenvolvimentos políticos e a situação no Médio Oriente, onde as expectativas de um eventual acordo entre os Estados Unidos e o Irão continuam a revelar-se incertas. Nos indicadores económicos, as vagas de emprego nos Estados Unidos aumentaram significativamente em Setembro, enquanto os despedimentos diminuíram, apontando para um mercado de trabalho ainda resiliente.

Na Ásia, as bolsas apresentaram uma evolução mista, com destaque para a forte correcção do mercado japonês, penalizado pelas preocupações em torno das empresas ligadas à inteligência artificial. O Nikkei caiu 1,41%, atingindo mínimos de mais de três meses, perante receios de que uma maior supervisão regulatória nos Estados Unidos possa condicionar os investimentos em centros de dados e infra-estruturas de inteligência artificial. Em sentido contrário, os mercados chineses registaram ganhos expressivos, com o Shanghai Composite a avançar 2,16%, o Shenzhen Composite 2,31% e o Hang Seng a ganhar 1,38%. O Kospi sul-coreano subiu 0,62%, enquanto o S&P/ASX 200 australiano recuou 0,59%.

Na Europa, as principais bolsas negoceiam em alta, com os investidores atentos à divulgação dos indicadores de actividade no sector dos serviços na Alemanha, no Reino Unido e na Zona Euro, assim como aos dados da inflação da região relativos a Outubro. O DAX avança 0,41%, o CAC 40 ganha 0,44% e o Euro Stoxx 50 valoriza 0,48%, enquanto o FTSE 100 sobe 0,17%. No plano empresarial, os resultados trimestrais da Novo Nordisk e da BMW estão também entre os destaques da sessão.

No mercado petrolífero, os preços apresentam uma evolução relativamente estável, depois de duas sessões consecutivas de perdas, com os investidores a avaliarem os sinais contraditórios em torno das negociações entre Washington e Teerão. Os dois países estarão a analisar novas propostas apresentadas por mediadores para tentar resolver as divergências e alcançar um entendimento. Entretanto, os dados preliminares do American Petroleum Institute (API) apontaram para uma redução de 5,3 milhões de barris nas reservas de crude dos Estados Unidos na semana terminada a 30 de Outubro, embora os stocks em Cushing, Oklahoma, tenham aumentado em 511 mil barris. O Brent negoceia em torno dos 104 dólares por barril, enquanto o WTI se situa próximo dos 96,50 dólares.

No mercado cambial, o dólar começa a sessão em baixa, reagindo à vitória expressiva dos Democratas nas eleições intercalares norte-americanas. A possibilidade de maior bloqueio legislativo e de um escrutínio regulatório mais apertado sobre alguns sectores está a pesar sobre a moeda norte-americana. O índice DXY recua para 101,20 pontos, enquanto o EUR/USD recupera para níveis acima de 1,1250.
O iene apresenta uma evolução pouco expressiva, ganhando ligeiramente face ao dólar, com o USD/JPY em torno de 158,00, mas perdendo terreno perante o euro, com o EUR/JPY próximo de 178,00. A libra continua a valorizar, com o GBP/USD a atingir máximos de mais de um mês, em torno de 1,3480, enquanto o EUR/GBP se mantém próximo de 0,8340.
Por sua vez, o franco suíço corrige parcialmente os ganhos recentes, embora continue a negociar em níveis relativamente fortes. O EUR/CHF recupera para 0,9180, enquanto o USD/CHF permanece próximo de 0,8150. A evolução do mercado cambial deverá continuar particularmente condicionada pela reacção dos investidores ao novo equilíbrio político nos Estados Unidos e pelas perspectivas para a política económica da Administração Trump.


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