Café da Manhã
Petróleo abaixo dos 100 dólares
A vitória dos Democratas nas eleições norte-americanas impulsiona as bolsas e reforça as expectativas de uma solução para o conflito com o Irão. O petróleo cai abaixo dos 100 dólares e o dólar continua pressionado.
Os mercados financeiros continuam a reagir à vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições intercalares norte-americanas, com os investidores a anteciparem uma possível mudança de posição de Washington relativamente ao conflito com o Irão. As perspectivas de uma eventual redução das tensões geopolíticas estão a penalizar fortemente o petróleo, enquanto a descida das taxas de rendibilidade da dívida pública norte-americana favorecem as bolsas. Apesar da incerteza política, os investidores mantêm alguma confiança na resistência da economia dos Estados Unidos e nos principais motores de crescimento, nomeadamente o consumo e o investimento em inteligência artificial.
Em Wall Street, as bolsas registaram uma sessão bastante positiva na quarta-feira, prolongando a recuperação iniciada após os resultados eleitorais. O Dow Jones avançou 3,03%, o S&P 500 ganhou 1,58% e o Nasdaq subiu 1,44%. A recuperação foi liderada pelas grandes tecnológicas, com a Microsoft, a Amazon e a Apple a registarem valorizações superiores a 5%. A descida das taxas de rendibilidade das obrigações do Tesouro também contribuiu para melhorar o sentimento dos investidores, numa altura em que a possibilidade de bloqueio político no Congresso poderá limitar novos aumentos da despesa pública e aliviar as preocupações com o endividamento norte-americano.
Na Ásia, as bolsas apresentaram uma evolução divergente, com uma rotação de investimentos a penalizar os fabricantes de semicondutores e a favorecer outros sectores. O Kospi sul-coreano caiu 5,28%, pressionado pelas perdas superiores a 7% da Samsung Electronics e da SK Hynix, perante os receios de um maior escrutínio regulatório nos Estados Unidos sobre os investimentos em centros de dados. Em sentido contrário, o Hang Seng avançou 3,64%, impulsionado pela Tencent e pela Alibaba, que valorizaram mais de 6%. O Shanghai Composite recuou ligeiramente, 0,10%, enquanto o Shenzhen Composite ganhou 0,29%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 2,61%. No Japão, o Nikkei perdeu 1,66%, apesar da valorização de 1,16% do índice Topix.
Na Europa, as principais bolsas começaram a sessão em alta, com os investidores atentos à decisão de política monetária do Banco de Inglaterra, que deverá anunciar a primeira subida das taxas de juro em mais de três anos. O FTSE 100 avança 0,91%, o CAC 40 ganha 1,27%, o Euro Stoxx 50 valoriza 0,65% e o DAX sobe 0,33%. No plano empresarial, os resultados da Commerzbank, Deutsche Telekom, ArcelorMittal e Rheinmetall estão entre os destaques da sessão.
No mercado petrolífero, os preços prolongaram a forte correcção, com o Brent a registar uma queda superior a 8% na quarta-feira, regressando abaixo dos 100 dólares por barril, enquanto o WTI recuou para menos de 90 dólares. A vitória dos Democratas nas eleições intercalares reforçou as expectativas de uma mudança de posição da Administração Trump relativamente ao conflito com o Irão. O próprio Presidente norte-americano reconheceu que a guerra foi um dos principais factores para a derrota eleitoral dos Republicanos, enquanto os esforços diplomáticos do Qatar para alcançar um entendimento entre Washington e Teerão ganharam novo impulso. Trump anunciou também a intenção de suspender, a partir do próximo ano, o financiamento anual de quatro mil milhões de dólares a Israel. Neste contexto, o mercado começa a incorporar uma maior probabilidade de redução das tensões e de normalização dos fluxos de abastecimento energético. O Brent negoceia agora em torno dos 95 dólares por barril e o WTI próximo dos 85 dólares.
No mercado cambial, o dólar continua pressionado pela descida dos preços do petróleo e das taxas de rendibilidade das obrigações norte-americanas, num contexto de ajustamento das expectativas dos investidores após a derrota eleitoral dos Republicanos. O índice DXY mantém-se pouco acima dos 100 pontos, em torno dos 101,20, enquanto o EUR/USD negoceia próximo de 1,1250.
O iene regista ganhos ligeiros, com o USD/JPY em torno de 158,20 e o EUR/JPY próximo de 177,80. As actas da última reunião do Banco do Japão revelaram que a maioria dos responsáveis considera necessárias novas subidas das taxas de juro, mantendo abertas as perspectivas de continuação da normalização da política monetária.
A libra negoceia perto dos máximos recentes, com os investidores a aguardarem a decisão do Banco de Inglaterra, sendo esperada uma subida das taxas de juro. O GBP/USD situa-se em torno de 1,3480, enquanto o EUR/GBP permanece próximo de 0,8340.
Por sua vez, o franco suíço continua a beneficiar de alguma procura, com o EUR/CHF em torno de 0,9180 e o USD/CHF próximo de 0,8165.