Café da Manhã
Aversão ao risco
A forte correcção das tecnológicas nos Estados Unidos alastrou às bolsas asiáticas e europeias, numa sessão marcada pela aversão ao risco. O dólar recupera terreno, enquanto o petróleo continua a caminho de uma queda semanal expressiva.
Os mercados accionistas estão a atravessar uma sessão de forte correcção, com a pressão sobre as empresas tecnológicas e ligadas à inteligência artificial a alastrar de Wall Street aos mercados asiáticos e europeus. As preocupações com uma eventual maior intervenção regulatória nos Estados Unidos, após a vitória dos Democratas nas eleições intercalares, juntam-se às dúvidas sobre a rentabilidade dos avultados investimentos em inteligência artificial. O movimento de venda está a provocar uma rotação acentuada de activos e a reforçar a procura por dívida pública, num contexto de crescente aversão ao risco.
Em Wall Street, a sessão de quinta-feira ficou marcada por uma das maiores quedas dos últimos anos, com os investidores a reduzirem a exposição ao sector tecnológico. O Dow Jones perdeu 3,44%, o S&P 500 recuou 4,35% e o Nasdaq afundou 5,52%, registando a pior sessão desde Março de 2020. O índice Philadelphia Semiconductor caiu 12,25%, com a Nvidia a perder 9,31%, enquanto a SanDisk recuou 22,26%. Também a Qualcomm e a Arm Holdings foram penalizadas por perspectivas empresariais menos favoráveis. A correcção anulou os ganhos da sessão de quarta-feira e voltou a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade das avaliações e dos investimentos associados à inteligência artificial.
Na Ásia, a pressão sobre as tecnológicas norte-americanas provocou uma forte onda de vendas, com destaque para o Japão e a Coreia do Sul. O Nikkei caiu 6,04%, registando a maior perda diária desde Abril de 2025, enquanto o Kospi recuou 6,02%, depois de ter chegado a perder 8,8% durante a sessão, obrigando à activação de mecanismos de suspensão temporária das negociações. O Hang Seng perdeu 1,27%, o Shanghai Composite recuou 1,10% e o Shenzhen Composite caiu 1,44%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 desvalorizou 0,49%. O índice MSCI Asia Pacific perdeu 3,8%, reflectindo a dimensão da correcção na região.
Na Europa, as principais bolsas acompanham a tendência negativa, com os investidores a manterem uma postura defensiva perante a dimensão das perdas nos mercados norte-americanos e asiáticos. O DAX recua 1,28%, o FTSE 100 perde 1,41%, o CAC 40 cai 1,04% e o Euro Stoxx 50 desvaloriza 0,88%. A divulgação de vários indicadores económicos, incluindo dados sobre a produção industrial alemã e as vendas a retalho na Zona Euro, também está no radar dos investidores.
No mercado petrolífero, os preços continuam a caminho de uma queda semanal expressiva, apesar da recuperação registada na quinta-feira, depois das fortes perdas de quarta-feira. O Brent voltou temporariamente a ultrapassar os 100 dólares por barril, mas negoceia agora em torno dos 97,65 dólares, enquanto o WTI se situa próximo dos 89,85 dólares. As expectativas de uma eventual redução das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, na sequência da derrota eleitoral dos Republicanos, continuam a pressionar as cotações. Contudo, os riscos para o abastecimento energético no Médio Oriente, enquanto o conflito se mantiver, continuam a limitar o potencial de queda dos preços.
No mercado cambial, a reacção à forte correcção das bolsas tem sido relativamente moderada, embora o dólar esteja a recuperar terreno, beneficiando da tradicional procura por activos considerados mais defensivos em períodos de aversão ao risco. O índice DXY regressa para perto da região dos 102 pontos, enquanto o EUR/USD recua dos máximos próximos de 1,1280 registados na sessão anterior, voltando a negociar abaixo de 1,1200.
O iene regista ganhos ligeiros, com o USD/JPY em torno de 158,00 e o EUR/JPY próximo de 176,80. A libra também está sob pressão, acompanhando o agravamento do sentimento nos mercados, com o GBP/USD a recuar para níveis abaixo de 1,3400, enquanto o EUR/GBP se mantém próximo de 0,8340.
Por sua vez, o franco suíço apresenta uma evolução pouco expressiva, valorizando face ao euro, com o EUR/CHF em torno de 0,9145, mas perdendo algum terreno perante o dólar, com o USD/CHF próximo de 0,8185. Apesar da dimensão da correcção nos mercados accionistas, o mercado cambial mantém uma reacção relativamente contida, com o dólar a beneficiar sobretudo do ajustamento das posições dos investidores e da procura por segurança.
Bom fim-de-semana!