A semana que começa
IA, Ormuz e inflação em foco

A semana que começa IA, Ormuz e inflação em foco

Os receios em torno do investimento em inteligência artificial continuam a marcar os mercados, numa semana de resultados empresariais, tensão no Médio Oriente, discursos dos bancos centrais e divulgação da inflação nos EUA.

A semana será marcada pela continuidade das preocupações em torno dos investimentos em inteligência artificial e pelo impacto da nova configuração política nos Estados Unidos, após a vitória democrata nas intercalares. No radar estarão também a evolução das tensões entre Washington e Teerão, os discursos dos bancos centrais e os novos dados da inflação norte-americana.




Na IA e política norte-americana, as preocupações em torno dos elevados investimentos em inteligência artificial deverão continuar a condicionar o sentimento dos mercados, agora também influenciadas pelo resultado das eleições intercalares nos Estados Unidos. A vitória expressiva dos Democratas, que conquistaram o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, a partir de Janeiro, aumentou os receios de uma maior pressão regulatória sobre o sector, nomeadamente em matéria de construção de centros de dados, consumo de energia e protecção dos consumidores. Os investidores receiam que uma maior fiscalização e eventuais restrições possam travar o ritmo de expansão das infra-estruturas de IA, colocando em causa algumas das expectativas que têm sustentado as valorizações das empresas tecnológicas. Este tema deverá continuar em foco, numa altura em que o mercado procura também perceber se os elevados investimentos começam a produzir retornos proporcionais.





Na frente geopolítica, a situação entre os Estados Unidos e o Irão continuará a merecer acompanhamento, sobretudo pelos riscos associados ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo. As tentativas de mediação do Catar prosseguem, com o primeiro-ministro catari a afirmar que continuam os esforços diplomáticos para evitar uma escalada do conflito e que foram alcançados progressos nas negociações. Contudo, permanecem divergências importantes entre Washington e Teerão, nomeadamente em torno do bloqueio aos portos iranianos, das sanções e das condições para a reabertura do estreito. A possibilidade de novos confrontos mantém-se, pelo que qualquer alteração no terreno poderá voltar a reflectir-se nos preços do petróleo e no sentimento dos mercados.





Na política monetária, depois das últimas reuniões da Reserva Federal e do Banco Central Europeu, a atenção dos investidores começa a centrar-se nas perspectivas para as decisões de Dezembro, as últimas deste ano. A semana será marcada por várias intervenções de responsáveis dos dois bancos centrais. Na Reserva Federal, estarão em destaque os discursos de Christopher Waller e Michelle Bowman, na terça-feira, Michael Barr, na quinta-feira, e Philip Jefferson, na sexta-feira. Do lado do BCE, estão previstas intervenções de Philip Lane, Christine Lagarde, Piero Cipollone e Isabel Schnabel, entre outros responsáveis. Os investidores procurarão identificar sinais sobre a evolução das perspectivas para a inflação e o crescimento económico, bem como eventuais indicações sobre o rumo das taxas de juro.





Na agenda económica, o principal destaque será a divulgação, na terça-feira, da inflação nos Estados Unidos, com a publicação do índice de preços no consumidor (CPI) referente a Outubro. Depois de a inflação homóloga ter acelerado para 3,7% em Setembro, os novos dados serão importantes para avaliar a persistência das pressões sobre os preços e as perspectivas para a política monetária da Reserva Federal. A evolução da inflação continuará a ser determinante para as expectativas em torno das taxas de juro e para o comportamento do dólar e das obrigações do Tesouro norte-americanas. Na sexta-feira, será também divulgado o índice de preços no produtor (PPI), igualmente referente a Outubro, completando uma semana importante para a avaliação das pressões inflacionistas nos EUA.





Na frente empresarial, a semana será marcada pelos resultados da CoreWeave, Cisco e Applied Materials, nos Estados Unidos, da Siemens, Allianz e Infineon, na Europa, e da SoftBank, na Ásia. As contas destas empresas poderão dar novas indicações sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial, a procura de semicondutores e infra-estruturas tecnológicas, bem como sobre o impacto desta dinâmica nas perspectivas de crescimento e rentabilidade.





Dados Económicos

Estados Unidos da América
Uma semana bem mais ligeira de indicadores económicos de primeira linha, onde as atenções vão especialmente para o índice de preços do consumidor do mês de Outubro. As previsões apontam para que os preços mostrem uma subida mensal de 0,3%, desacelerando dos 0,6% registados em Setembro, com a inflação anual a manter-se nos 3,7%. Sem alimentos nem energia os preços deverão mostrar um aumento de 0,2%, abaixo dos 0,3% do mês anterior, com a inflação subjacente a recuar dos 2,6% para 2,5%.
No final da semana iremos ter os dados da inflação à porta das fábricas. O índice de preços no produtor deverá mostrar uma subida mensal em Outubro de 0,4%, desacelerando dos 1,3% do mês anterior, onde se excluídos os alimentos e a energia, deverá desacelerar de 0,7% para 0,3%.
Na terça-feira, além dos dados da inflação, teremos os dados semanais do emprego da ADP e ainda o índice de pequenas e médias empresas NFIB, onde as estimativas apontam para um recuo dos 97,9 para 97,7.
Quinta-feira teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, com as estimativas a mostrarem uma subida dos 189 mil pedidos da semana anterior, para 194 mil, e ainda os números das vendas de imóveis existentes no mês de Outubro que deverão mostrar um aumento de 0,3%, desacelerando dos 1,5% do mês de Setembro.

Zona Euro
Uma agenda económica tranquila esta semana que começa com a divulgação do índice de confiança do investidor Sentix, onde o consenso aponta para um recuo dos 2,7 no mês anterior, para 2,1. Teremos também, na Alemanha, os números da balança comercial de Setembro, onde as estimativas apontam para um excedente de 19,2 mil milhões de euros, recuando dos 19,5 mil milhões do mês anterior.
Na terça-feira, a taxa de desemprego em França, relativa ao terceiro trimestre, deverá manter-se nos 8,3%, em linha com o trimestre anterior.
Na quarta-feira teremos os dados finais da inflação na Alemanha, que deverão confirmar as leituras preliminares, e em Itália teremos os números da produção industrial de Setembro, que deverão mostrar um crescimento de 0,7%, após a redução de 1,3% em Agosto.
Por fim, na sexta-feira, teremos os números da segunda estimativa do PIB do terceiro trimestre que deverão confirmar o crescimento de 0,4% apontados na leitura preliminar. A variação trimestral do emprego no terceiro trimestre deverá mostrar um aumento de 0,2%, acelerando dos 0,1% apresentado no trimestre anterior, enquanto em termos homólogos deverá mostrar um recuo dos 0,5% para 0,3%. Os números da balança comercial deverão apresentar um défice de 4,5 mil milhões de euros, reduzindo os 6,8 mil milhões registados no mês anterior.
Teremos ainda os dados finais da inflação de Outubro em França e Espanha, o índice de preços grossistas na Alemanha que deverá mostrar uma subida de 0,4%, após a de 1,9% em Setembro, e os números da balança comercial em Itália que deverão apresentar um excedente de 1,85 mil milhões de euros, após os 1,77 mil milhões registados no mês anterior.

Reino Unido
As atenções irão estar focadas na quinta-feira, onde teremos a divulgação dos dados do crescimento económico do terceiro trimestre e do mês de Setembro. O PIB do terceiro trimestre, segundo as previsões, deverá apresentar um crescimento trimestral de 0,7%, acelerando dos 0,5% do segundo trimestre, onde em termos homólogos a economia britânica deverá mostrar um crescimento de 1,7%, acelerando dos 1,4% registados no trimestre anterior. Já em Setembro o PIB deverá mostrar uma estagnação, após o crescimento de 0,1% mostrados no mês de Agosto.
Teremos os números de Setembro da balança comercial de bens que deverão apresentar um défice de 19,2 mil milhões de libras, depois dos 18 mil milhões no mês anterior.
Iremos ter os números da produção industrial de Setembro que, segundo as previsões, mostrarão uma queda de 0,4%, após o crescimento de 0,8% em Agosto.
Teremos ainda os números preliminares do investimento empresarial do terceiro trimestre, onde as estimativas apontam para uma queda de 0,3%, após o crescimento de 1,8% registado no trimestre anterior.

Canadá
Uma semana ligeira de dados económicos, com os números das licenças de construção de Setembro, segundo as estimativas, a caírem 3,9% após o aumento anterior de 8,8%, as vendas manufactureiras a desacelerarem do crescimento de 1,5% em Agosto, para 0,1%, e ainda as vendas grossistas a aumentarem 0,5%, após a queda de 1,6% no mês anterior.

Suíça
O índice de preço no produtor e importação deverá mostrar em Outubro uma subida de 0,2%, desacelerando dos 0,3% do mês de Setembro.

China
As atenções irão estar nos dados dos preços e do comércio internacional.
Os preços em Outubro deverão mostrar uma subida mensal de 0,2%, em linha com o comportamento de Setembro, com a inflação em termos homólogos a recuar dos 0,9% em Setembro, para 0,8%.
À porta das fábricas os preços, em Outubro, deverão mostrar um crescimento em termos homólogos de 5,4%, acelerando dos 5% em Setembro.
A balança comercial em Outubro, segundo as previsões, apresentará um excedente de 126,5 mil milhões de dólares, recuando dos 133,5 mil milhões registados em Setembro.
Os novos empréstimos em yuans em Outubro, segundo as estimativas, deverão cair dos 1.080 mil milhões de yuans, para 80 mil milhões.
Teremos também os números da conta corrente do terceiro trimestre que, segundo as previsões, deverão mostrar um saldo positivo de 200,5 mil milhões de dólares, subindo dos 193,7 mil milhões apresentados no trimestre anterior.

Japão
A semana começa com os dados da despesa das famílias em Setembro, onde as estimativas apontam para um aumento de 0,3% em termos mensais, subindo dos 0,1% no mês anterior, onde em termos homólogos voltará a apresentar uma redução de 3,1%, em linha com o mês anterior. Teremos dados dos empréstimos bancários que deverão subir dos 5,3% no mês anterior, para 5,4%. Iremos ter ainda os números da conta corrente de Setembro que deverá apresentar um saldo positivo de 2,81 triliões de ienes, reduzindo dos 2,98 triliões no mês anterior.
Terça-feira teremos o índice dos observadores económicos que deverá recuar dos 47,0 para 46,9, e ainda o índice Reuters Tankan que deverá subir de 22 para 23.
Por fim, na quarta-feira, teremos os números preliminares das encomendas de maquinaria de Outubro que deverá cair dos 60,4% anteriores para 54,5%, e ainda o índice de preços no produtor de Outubro, que em termos mensais deverá mostrar uma subida de 0,3%, após a queda de 0,3% no mês anterior, onde em termos homólogos deverá mostrar uma subida de 6,5%, recuando dos 6,8% registados em Setembro.

Nova Zelândia
Por aqui tudo o que teremos será o índice manufactureiro BusinessNZ, onde o consenso aponta para uma queda dos 56,5 no mês anterior, para 55,8.

Austrália
Uma semana muito leve de indicadores económicos onde começaremos a semana com o índice de confiança do consumidor Westpac de Novembro que, segundo as estimativas, deverá mostrar uma queda dos 80,4 para 78,3, e mais tarde o índice de confiança empresarial NAB de Outubro deverá mostrar uma queda dos -13 para -14. Teremos ainda os números dos empréstimos para habitação do terceiro trimestre que, segundo as previsões, deverão mostrar uma queda de 9%, após a queda de 1,9% no trimestre anterior, tal como os empréstimos para investimentos em imobiliário que deverão cair 14%, acelerando a queda de 10,2% do segundo trimestre.




O que pensa sobre este tema?